23-10-09 - Luto de uma jovem converte-se em ajuda a pessoas com SIDA
Nenhum outro continente tem sido tão afectado pelo HIV e SIDA como África. Milhões de pessoas morreram e pelo menos onze milhões de crianças são órfãs por causa desta doença. Lydia Teera (na foto ao lado) era apenas um adolescente, no Uganda, quando os seus pais morreram de SIDA. Mas o seu luto levou-a a alcançar outros que sofrem os efeitos da doença.
O Lago Victoria é o maior de África. Na sua costa norte está a cidade de Entebbe, onde vive Lydia Teera. O pai de Lydia pai era um conhecido líder cristão no Uganda. Mas ele tinha uma vida dupla.
Lídia tinha 17 anos quando aconteceu algo que de alguma forma mudou completamente a sua vida. "O Papá morreu de SIDA após uma longa doença da qual nunca soubemos nada ...", lembra a jovem.
Segundo Lydia o pai contraiu a doença através de relações extraconjugais. Mas ninguém sabia que ele estava a morrer de SIDA, uma vez que o tinha ocultado.
Ela recorda-se que se sentiu muito revoltada com o pai, com Deus e com todos. "Eu via-o como um homem perfeito, porque eu tinha uma imagem perfeita de quem ele era."
Infelizmente, um ano mais tarde, a sua mãe também morreu de SIDA. Porém Lídia não estava sozinha - cerca de 1,2 milhões de crianças, no Uganda, perderam um ou ambos os pais devido à doença.
Embora para Lydia tivesse sido chocante descobrir que o seu pai morrera de SIDA, diz ela, foi um ponto de viragem, em especial espiritualmente porque passou a conhecer Deus de um novo modo.
Amigos próximos da família adoptaram Lydia. Kibirige Timothy é o pastor de uma das maiores igrejas evangélicas de Entebbe. Após a morte dos pais de Lídia, ele e a sua esposa comprometeram-se em cuidar dela e amá-la. "Nós investimos o nosso tempo e amor em Lydia, como seus pastores", afirma Timothy.
Um acto de amor que, de acordo com Lídia, a impulsionou para um trajecto de cura e restauração. Ela passou os anos seguintes, deixando que as Escrituras curassem a sua vida abalada. Descobriu logo que tal como o seu pai, ela também era pecadora, salva pela graça de Deus.
"Comecei a ver o meu pai de forma diferente, queria tê-lo aqui para lhe dizer que estava arrependida, que o compreendia. A amargura começou a desaparecer, porque entendi que não sou diferente dele, mas agora sei que eu sou pecadora e que, como todos, preciso de Cristo ", comenta a jovem.
Depois de terminar os seus estudos, Lydia juntou-se à Wycliffe, o maior grupo de tradução da Bíblia no mundo. Com a bênção dos seus pais adoptivos e igreja, ela tornou-se na primeira missionária Wycliffe do Uganda.
Lydia reconhece que está salva, que conheceu o amor e foi chamada a comunicá-lo aos outros, sem excepção. Agora, ela viaja pelo país a ajudar a traduzir a Palavra de Deus para línguas nativas e a ministrar esperança àqueles que vivem com SIDA.
Mas ela tem sempre os seus desafios. "É tão forte , a experiência de perda … de alguém com SIDA! Muitas coisas acontecem, há muito estigma no início, até mesmo na igreja, e é claro que com a SIDA vem o desespero e uma pessoa sente que é a pior pecadora do mundo."
A CBN News viajou com Lydia ao norte do país, onde a Wycliffe Bible tem programas de alfabetização e ensino sobre a SIDA. Muitos nesta cidade remota têm esta doença.
Dezassete anos depois de perder os pais com a doença, Lydia concentra-se em oferecer esperança em Jesus Cristo, àqueles que vivem ou estão afectadas com a SIDA.
"As pessoas podem ter esperança mesmo nestas experiências. Mesmo quando estão a decair fisicamente, podem saber no seu coração que um dia se encontrarão com Ele, mesmo na morte, e podem conhecer o poder do perdão e do Seu amor por nós," compartilha Lydia.




