30-07-2017 - Ministério resgata mais de 700 vítimas de tráfico sexual

No passado mês de junho, a CNN produziu um documentário que conta histórias de famílias pobres no Camboja que são reféns de tráfico sexual. Sem recursos para manter os filhos, mães acabam por comercializar as suas filhas virgens por alguns dólares.
Um dos casos relatados foi Sephak, de 13 anos, que foi vendida pela mãe por 800 dólares. A mãe, Ann, afirma que a vendeu pelas dívidas da família acumuladas e que era a única forma de se ver livre do problema.
Don Brewster, líder de um Ministério cristão, contou como ocorreu. “Ela foi levada para um hospital, recebeu um certificado que confirmava a sua virgindade e foi levada para um quarto de hotel onde foi violado durante dias. Ela voltou para casa depois de três noites”.
Ann, a mãe da jovem de 13 anos que foi vendida, está arrependida do que fez. Depois da adolescente perder a virgindade, foi forçada a trabalhar num bordel. Mas, atualmente, vive uma rotina diferente como voluntária deste ministério missionário.
“Hoje eu sinto muito mais estabilidade do que antes. Agora eu tenho um trabalho decente. Eu realmente quero que outras pessoas tenham o tipo de trabalho que tenho”, disse a jovem, que produz utensílios e roupas para pessoas em situação de fragilidade.
Ela comentou o facto de ter sido vendida pela própria mãe. “Elas não têm dinheiro, então obrigam as suas filhas trabalharem. Mesmo agora, vejo muitas mães que não entendem os sentimentos das suas filhas. Elas não entendem que as filhas têm corações, que sofrem”, afirmou.
Don ainda afirma que a situação é crítica no Camboja, especialmente numa vila chamada Syay Pak, que reúne pescadores próximos a capital do país, Phnom Penh.
“Quando falamos sobre o tráfico sexual infantil, tal é um epicentro. Quando chegamos a Svay Pak, o índice era de 100% — se fosse uma garota nascida aqui, seria traficada. Hoje a taxa é inferior a 50%”, contou.
Don Brewster, que está no país desde 2005, diz que decidiu ajudar após conferir uma reportagem. “As crianças que eu dei as mãos e vi correndo pelas ruas não estavam apenas tentando sobreviver à pobreza. Muitas viviam no inferno, sofrendo torturas. Eu não podia acreditar que tudo se passava debaixo do meu nariz”, afirma.




