17-08-2017 - Conduta de cristãos secretos leva oficial da Coreia do Norte que os espionava a converter-se ao Senhor Jesus Cristo

Uma cristã norte-coreana que conseguiu escapar do país contou um testemunho de evangelismo silencioso e impactante, que culminou com a conversão do oficial encarregado por denunciar a sua família pelo crime de crer no Senhor Jesus Cristo.
Kim Sang-Hwa cresceu sem saber que seus pais eram cristãos, tamanha a discrição que é exigida dos seguidores do Senhor Jesus Cristo no país. Certo dia, antes de fugir do regime comunista totalitário implementado pela dinastia ditadora da Coreia do Norte, ela soube de como a vida do seu pai foi usada para levar um funcionário do governo à conversão.
O oficial do Partido Comunista era encarregado de espionar a família de Kim e denunciar às autoridades tão logo obtivesse provas da sua fé cristã. “Como muitas famílias cristãs, a nossa família foi banida na década de 1950 para uma aldeia remota”, relatou à Missão Portas Abertas.
“Eles continuaram a esconder a sua fé para não serem descobertos pelos oficiais, mas lembro-me de acordar uma noite, quando eu tinha seis anos. A nossa casa era muito pequena, então todos dormíamos no mesmo quarto. Quando abri os meus olhos, vi o meu pai e mãe sob o cobertor e eu conseguia ouvir um ruído suave do rádio. Mais tarde eu soube que eles ouviam a transmissão de uma estação de rádio cristã”, relembrou.
Certo dia, ao encontrar uma Bíblia escondida no fundo de um armário, Kim ficou aterrorizada e chegou a considerar a hipótese de denunciar os seus pais às autoridades, tamanha é a doutrinação imposta pelo governo.
“Eu estava com medo até mesmo de tocar na Bíblia, mas não podia simplesmente deixá-la ali. Eu fechei os olhos, peguei o livro e coloquei-o de volta. Eu pesava as minhas opções. Devo dizer ao meu professor sobre isso? Devo visitar o oficial de segurança local? Por quinze dias eu não conseguia pensar em mais nada. Éramos ensinados na escola que era nosso dever denunciar aquele ‘livro ilegal’. Mas era a minha família que estava envolvida naquilo. Além disso, também passei a questionar-me: “Quem é esse Deus?'”, revelou.
A Coreia do Norte é um dos países onde há maior opressão contra o Evangelho, e frequentemente os cristãos são condenados a trabalhos forçados no campo, ou sentenciados à morte, pela simples posse de um exemplar da Bíblia Sagrada.
Depois de muito ponderar sobre o assunto, ela tomou coragem e questionou o seu pai sobre o “livro proibido”. “Ele ficou muito surpreso e sentou-se ao meu lado e perguntou-me: ‘Vês aquelas árvores antigas? Quem as fez?’. Eu disse que não sabia e ele explico-me toda a história da criação do mundo, incluindo como Deus criou Adão e Eva”, afirmou.
Com o tempo, a sua mãe passou a ensiná-la a memorizar os versículos da Bíblia, o seu pai explicou o contexto do Evangelho, o plano da Salvação através do Senhor Jesus Cristo, e o seu avô ensinou-a a orar: “É só falar com Deus. Nada mais, nada menos do que isso”, ele simplificou.
“Para mim, todas essas histórias e ideias eram muito interessantes. Eu também passei a ler a Bíblia sozinha. Mas percebi o quanto isso era perigoso no meu país. O meu pai enfatizava sempre para não comunicar nada a ninguém. Então ele começava a orar em sussurros, de maneira quase inaudível, dizendo: ‘Pai, ajuda o povo norte-coreano a buscar o Teu reino em primeiro lugar”, relembrou.
O testemunho
A conversão do oficial, já no seu leito de morte, foi fruto da vida em retidão do pai de Kim. Ele encontrava-se, de tempos em tempos, com outros cristãos, em um local secreto, e assim eles cultuavam a Deus, estudavam a Bíblia e oravam juntos.
“Quando um homem estava a morrer, meu pai foi vê-lo no seu leito de morte. Ele confessou ao meu pai: ‘Eu sei tudo sobre si, sua família e a sua fé. Eu era um espião e pedi às autoridades para segui-lo”, contou Kim.
Surpreso, o pai de Kim ficou intrigado com o facto daquele homem fazer aquela revelação no seu leito de morte e pedir para vê-lo. Então, o oficial afirmou que havia sido impactado com o testemunho de vida dele e queria converter-se ao Senhor Jesus Cristo. “Tu és um bom homem. Nunca te denunciei a ninguém. DzDiz-me como eu também posso tornar-me cristão”, disse o moribundo.
“Nos seus últimos momentos de vida, aquele homem arrependeu-se dos seus pecados e entrou no Reino de Deus. O meu pai conseguiu ajudar a levá-lo até lá”, afirmou Kim, que hoje vive na Coreia do Sul com a família.
Ela pretende um dia ter possibilidade de voltar à Coreia do Norte para comunicar a mensagem do Evangelho aos seus conterrâneos.
“Eu gostaria de poder voltar para a Coreia do Norte e comunicar o Evangelho às pessoas lá e ter comunhão com os crentes locais. Eu estaria pronta para morrer pelo Evangelho. Penso que se eu não tivesse uma família aqui na Coreia do Sul, já teria voltado e ajudaria as pessoas que precisam”, afirmou, salientando que diariamente repete a oração que viu o seu pai fazer, há anos atrás, pela salvação dos compatriotas.




