31-10-2017 - Coreia do Norte é “inferno” para os cristãos, diz pastor torturado

Um pastor norte-coreano que foi perseguido pelo governo do seu país por causa da sua fé cristã disse que depois de fugir para os Estados Unidos, a sua vida passou a parecer um “paraíso” em comparação com o “inferno” que ele experimentou no país isolado pela ditadura comunista imposta há décadas pela dinastia Kim Jon.
Choi Kwanghyuk, de 55 anos, que fugiu da Coreia do Norte há vários anos e agora mora em Los Angeles, Califórnia, falou sobre a sensação de alívio que tem agora.
“Há uma enorme diferença entre a minha vida na Coreia do Norte e a minha vida nos EUA”, disse ele à Fox News. “A vida na Coreia do Norte é o inferno e a vida na América é o paraíso”.
Ser cristão num estado oficialmente ateu, onde o culto público é proibido, era incrivelmente perigoso, mas mesmo assim, o pastor sentia-se compelido a comunicar o Evangelho com os outros.
“Não podemos elevar nossa voz, louvar a Deus durante o culto na nossa própria igreja. Não podemos cantar em voz alta durante o louvor… isso é muito difícil”, disse Choi. “Além disso, tínhamos que nos esconder para que outras pessoas não pudessem nos ver reunidos para o culto”.
Enquanto vivia na província de North Hamgyong, Choi iniciou uma igreja subterrânea, onde os congregados faziam os seus cultos com apenas uma Bíblia, porque era a única que tinham.
“Havia cerca de nove pessoas”, disse ele. “Eu não podia fazer o trabalho missionário porque devemos manter o segredo sobre fazermos parte de uma igreja. Se essa informação vazasse, poderíamos enfrentar até mesmo a pena de morte”.
O pastor contou que a necessidade de fazer os cultos de forma secreta tornou-se algo tão normal, que ele não imaginava mais como seria uma igreja que se reúne livremente.
“A província de North Hamgyong é muito fria. No inverno, cavamos um grande buraco e armazenamos kimchi [alimento típico da Coreia do Norte]. Às vezes, fazíamos alguns cultos lá. No verão, também realizamos alguns cultos na montanha ou no rio. Mas eu nunca tinha ouvido o termo ‘igreja subterrânea’ até chegar aqui [EUA]”, disse.
Em 2008, as autoridades da Coreia do Norte prenderam Choi o interrogaram sobre a sua fé. Os interrogatórios eram frenquentemente seguidos de sessões de tortura.
Choi acabou por decidir tentar fugir, depois de saber que ele deveria ser enviado para um dos campos de trabalhos forçados da Coreia do Norte, onde os prisioneiros estão sujeitos a horríveis formas de tortura.
“Eu decidi fugir, porque pensei que uma vez que eles me enviassem para o outro campo, eles poderiam acabar por me enviar para o campo de concentração ou me matar”, lembrou Choi. “Eu estava viajando de ida e volta entre a China e a Coreia do Norte, mas eles continuaram a procurar por mim, e eu sabia que isso poderia colocar os meus amigos em perigo também, então eu fui embora”.
Choi finalmente escapou para a vizinha China, e teve asilo concedido nos EUA em 2013. Ele viveu primeiro em Dallas, antes de se mudar para Los Angeles.
Hoje, o pastor carrega cicatrizes físicas do tempo difícil de torturas na Coreia do Norte e hoje tem a sua saúde debilitada como resultado dos ferimentos que teve pelas agressões que sofreu. Ainda assim, ele está decidido a contar ao mundo os abusos dos direitos humanos na Coreia do Norte.
“Em primeiro lugar, todo humano deve ter o direito à liberdade”, disse ele. “Não há liberdade na Coreia do Norte. Por lei, eles têm liberdade de religião e liberdade de imprensa, mas a prática é muito diferente”.
A Coreia do Norte, agora governada por Kim Jong Un, é o lugar mais opressivo de todo o mundo para os cristãos, de acordo com um relatório recente da Missão Portas Abertas (EUA). Conforme os registos atualizados pela organização, estima-se que entre 30.000 e 70.000 cristãos sejam mantidos em situações degradantes, como por exemplo, em campos de trabalhos forçados.
- in Folha Gospel




