19-11-2017 - Maior Museu da Bíblia do mundo foi inaugurado na capital dos EUA
O maior Museu da Bíblia do mundo foi inaugurado ontem em Washington, capital dos EUA. Com oito andares, estendendo-se por 40 mil m2, o prédio está localizado na principal avenida da cidade, distando três quarteirões do Congresso. Tem como vizinhos alguns dos museus mais importantes do mundo, como o Smithsonian e o Museu Espacial.
Construído por iniciativa do bilionário cristão Steve Green, dono da rede de lojas Hobby Lobby, inicialmente iria hospedar apenas a coleção de relíquias bíblicos pertencente à família. Mas a ideia ganhou o apoio de grupos cristãos e agora é lar para cerca de 40 mil artefatos bíblicos e religiosos de todo o mundo, incluindo desde partes dos Pergaminhos do Mar Morto até a “Bíblia Lunar” – a primeira Bíblia a viajar no espaço.
Em construção desde 2015, foi agora concluído. O projeto, no valor de 420 milhões de euros é resultado de sete anos de planeamento, não tendo obtido qualquer financiamento estatal.
Além de fragmentos de manuscritos do Mar Morto, uma das maiores coleções privadas de Torás (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento) e uma Bíblia que pertenceu a Elvis Presley, o museu dispõe de auditórios e restaurantes, bem como um jardim no topo do edifício com plantas mencionadas na Sagrada Escritura.
A ladear os portões de entrada, com 11 metros de altura, encontram-se as primeiras 80 linhas do livro do Génesis, o primeiro da Bíblia, reproduzidos da primeira impressão mecânica, realizada no séc. XV.
O roteiro museológico compreende um guia digital e um ecrã interativo que responde a perguntas sobre a Bíblia.
«A equipa de inovadores do Museu da Bíblia, em concertação com algumas das mentes mais criativas e técnicas do mundo, dedicou-se a construir o museu tecnologicamente mais avançado do mundo», vincou o presidente da instituição.
Cary Summers salientou que estão reunidos «os mais impressionantes sistemas eletrónicos do mundo, sonhados para criar a melhor experiência museológica». Um dos destaques é um auditório de 472 lugares concebido para projeção a 360 graus, com recurso a 17 projetores 4K, de alta resolução.
À entrada, um teto com um ecrã de 42 metros e 555 painéis LED oferece ao visitante uma introdução imediata – e brilhante – às exposições.
«O museu destacar-se-á na paisagem museológica de Washington. Será uma experiência memorável para todos os géneros de visitantes do país e do mundo, uma oportunidade para explorar um livro bem conhecido de uma forma totalmente nova. A arquitetura junta humanidade, história, arte e tecnologia para expressar o espírito e o significado dos antigos escritos da Bíblia», disse o arquiteto principal, David Greenbaum.

Os visitantes, que podem visitar o museu gratuitamente – embora seja sugerida uma oferta de 15 dólares – vão encontrar parte do espólio bíblico reunido por Green nas últimas décadas
“O objetivo é mostrar às pessoas as muitas maneiras como a Bíblia afetou a nossa sociedade, não apenas a história, mas também os direitos civis, a justiça social e até a moda”, enfatiza Steve Bickley, vice-presidente de marketing do museu, em entrevista à Fox News.
Ao longo de cerca de 150 mil metros quadrados, o local pretende oferecer uma “experiência de imersão para pessoas de todas as fés, ou mesmo nenhuma fé, e aqueles que nunca sequer pegaram uma Bíblia”, reitera Bickley.
A família de Steve Green possuía a maior coleção privada de textos e artefatos bíblicos do mundo. Mas diante dos sucessivos ataques à liberdade religiosa durante o governo de Barack Obama, eles decidiram expor tudo que possuíam como forma de defender a sua fé. Isso também influenciou a escolha do local, já que ela fica nas proximidades da Casa Branca.
Para os críticos que vêm dizendo que o Museu da Bíblia defende apenas o ponto de vista de uma religião, Bickley lembra que eles estabeleceram uma parceria com a Autoridade de Antiguidades de Israel, que anualmente cederá objetos pertencentes ao Tesouro Nacional de Israel. Isso deverá atrair judeus e outras minorias.
Outro aspeto que será desenvolvido no Museu envolve estudos de arqueologia e história. Chamado de Iniciativa Académicos, jovens estudiosos de mais de 60 universidades em todo o mundo estão inscritos para projetos que envolvem estudos dos artefatos exibidos no local.
Gordon Campbell, membro do grupo de conselheiros do museu, salienta que a prioridade é levar as pessoas «a ler a Bíblia pela mesma razão que lêem Shakespeare – ou seja, é bom para elas».
«A Bíblia é um elemento cultural que devia ser trazido de volta para a esfera pública», defendeu David Trobisch, diretor das coleções do museu, que revelou que a instituição tem planos para se expandir para Londres e Berlim.
As reportagens sobre este novo equipamento dão conta de uma grande preocupação pela qualidade, pela dimensão educativa, pela capacidade de recriar ambientes análogos aos dos acontecimentos bíblicos evocados no Museu. Além disso, os seus responsáveis reivindicam a mais completa coleção de objetos e de textos relacionados com a Bíblia e o seu impacto ao longo do tempo e em diferentes culturas.




