23-11-2017 - Dares o teu testemunho não é pregares o Evangelho, diz o evangelista Will Graham

Para o neto de Billy Graham, os cristãos não devem colocar as coisas boas que Deus lhes fez acima da mensagem da cruz.
“Eu não estou a tentar ser o próximo Billy Graham; sou apenas o Will Graham”, afirma o neto do famoso evangelista. Filho de Franklin, aos 42 anos ele é o vice-presidente da Associação Evangelística Billy Graham, um dos ministérios mais respeitados do mundo.
Desde 2006 ele tem liderado cruzadas evangelísticas no mesmo estilo que foram a base do trabalho de seu avô. “Tenho um fogo no meu coração para pregar o Evangelho de Jesus Cristo. Se for para um estádio cheio de pessoas ou apenas uma pessoa na rua, eu farei o que Deus me está a chamar a fazer”, enfatiza o evangelista.
Num artigo para a Evangelical Focus, ele chamou atenção dos cristãos para não misturarem as coisas. Ele deixou claro que há muita confusão quando se fala em evangelizar. “É sempre importante ressaltar que o Evangelho não é: Deus me livrou da cocaína. Deus restaurou a minha família. Deus deu-me muita paz e alegria. Descobri que há um propósito maravilhoso para a minha vida. Agora sinto o amor de Deus. Por outras palavras, o teu testemunho pessoal não é o Evangelho”, argumenta.
Embora reconheça que se possa falar a um incrédulo das experiências pessoais com Deus, a mensagem não pode ser só isso. “O evangelho de Cristo é infinitamente mais importante do que os nossos testemunhos. Se tivermos que escolher entre pregar o Evangelho e contar o nosso testemunho, o Evangelho deve sempre vir primeiro!”, aconselhou.
Citando o texto de 1 Coríntios 15:3-4, ele ressalta que sem falarmos da morte expiatória na cruz e da ressurreição literal de nosso salvador Jesus Cristo, não estamos de facto a pregar. “O Evangelho é sobre a vida de Cristo, não sobre a nossa. Por isso está errado repetir essa frase tão popular no mundo evangélico contemporâneo: “Temos que viver o Evangelho!”. Isso está errado. Não podemos viver o Evangelho porque o Evangelho foi vivido por uma pessoa, o bendito e puro Senhor da glória, Cristo”.
Segundo Will, “o que podemos fazer, na verdade, é vivermos de maneira digna (Efésios 4: 1) e viver de maneira que sejamos o ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador (Tito 2:10)”. Aprofundando o tema, ele destaca que os livros bíblicos escritos pelos apóstolos nunca pediram para ninguém viver o evangelho. “Tal conceito teria sido ridículo para eles, pois o Evangelho é falar sobre Cristo, não falarmos sobre nós”, assegura.
O neto de Billy Graham destaca que a mensagem do Evangelho é dupla. O primeiro elemento é negativo: todo pecador “está sob a ira de Deus”. No entanto, evangelho significa “boa notícia”, logo devemos deixar claro que “Cristo deu a Sua vida pelos pecadores como eu e qualquer um”.
Ainda segundo Will, “o Evangelho também é um convite para a conversão. A pessoa não será salva por apenas ouvir o Evangelho. Ela precisa responder a essa mensagem”. Por isso, conclui o pastor, quando os cristãos disserem que estão a pregar, devem fazer o que a Bíblia ensina, não devem colocar as coisas boas que Deus fez por nós acima da mensagem que exige, antes de tudo, arrependimento e reconhecimento da necessidade de salvação.




