31-12-2017 - Governo comunista da China proíbe ensino da Bíblia a crianças

Famílias da cidade de Wenzhou – também conhecida como a “Jerusalém Chinesa”, devido à sua grande comunidade cristã – dizem que continuarão a ensinar aos seus filhos a Bíblia e a Pessoa do Senhor Jesus Cristo, apesar de o governo ateu do estado ter proibido que as escolas Escola Dominicais das igrejas continuem a funcionar.
“A fé vem primeiro, as notas em segundo lugar”, disse uma mãe cristã identificada apenas como Chen, em depoimento à Reuters.
O Partido Comunista, que vem realizando uma repressão às igrejas durante anos com o aumento da população cristã, proibiu oficialmente o funcionamento das escolas dominicais nos distritos de Wenzhou no mês de agosto.
Várias províncias, incluindo Zhejiang, Fujian, Jiangsu, Henan e a região autónoma da Mongólia Interior, estão a proibir as crianças de irem a acampamentos de verão organizados por igrejas e outras atividades religiosas.
Após a medida imposta pelo governo, as igrejas em Wenzhou continuaram a ensinar às crianças a fé cristã, no entanto, em casas particulares ou em creches, porém não nas escolas.
Chen argumentou que a educação estatal não proporciona às crianças uma orientação moral e espiritual suficiente.
“Drogas, pornografia, jogos de azar e violência são problemas sérios entre os jovens de hoje e os jogos violentos de videogame também são extremamente sedutores”, disse a mãe. “Nós não podemos estar ao lado deles o tempo todo, só que ensinando-lhes a fé cristã, podemos fazê-los entender o que é certo e o que é errado”.
A Reuters observou que há números inexatos sobre o número de cristãos na China, com números oficiais colocando-os em torno de 30 milhões, enquanto estimativas independentes sugerem algo mais próximo dos 60 milhões.
Embora ainda sejam uma minoria no país, os cristãos têm gerado preocupação no Partido Comunista dominante e o seu objetivo de controlar muitos aspectos da vida dos seus cidadãos.
Instituições, como a Universidade Farmacêutica Shenyang, proibiram grandes feriados cristãos, como o Natal, argumentando que a “religião ocidental” está a corroer as mentes dos jovens.
A Liga da Juventude Comunista publicou este mês um aviso na universidade, que diz: “Influenciados pela cultura ocidental e pelas operações comerciais individuais, bem como opiniões públicas erradas expressas na Internet, alguns jovens estão cegamente entusiasmados com feriados ocidentais, especialmente feriados religiosos como a Noite de Natal e o Dia de Natal”.
No começo deste ano, milhares de aldeões no sudeste da China foram convidados a substituir oa seus cartazes cristãos e versículos bíblicos por fotografias do presidente chinês Xi Jinping.
Funcionários do Partido Comunista alertaram que os aldeões necessitados só receberão ajuda do governo se acatarem as ordens do governo. Os funcionários ainda chamaram os aldeões de “ignorantes” por acreditarem que Deus é seu Salvador.
Em muitos outros incidentes destaca-se a repressão contra a igreja, pastores . sendo que por vezes crentes têm sido presos.
Ainda assim, as igrejas em Wenzhou foram apoiadas por donos de empresas cristãs, enquanto o rápido crescimento do cristianismo está a sair fora do controlo do governo.
“O governo de Wenzhou não permite que as igrejas se inscrevam [para obterem autorização legal], porque diz que há muitas.Por isso cresce o número de igrejas em lares e é difícil para o governo controlá-las”, disse Zhao Gang, ministro de uma Igreja de Wenzhou.
Chen também expressou confiança de que, apesar das tentativas do governo, o cristianismo no país continuará a crescer.
“Definitivamente haverá mais crentes cristãos na próxima geração”, disse ela. “A capacidade que a fé cristã tem de ser herdada e transmitida é sempre crescente”.
- In Guiame




