21-01-2018 - Dia 16, fez cem anos que os bolcheviques "fuzilaram Deus"

No dia 16 de janeiro de 1918, celebrou-se em Moscovo o "julgamento do Estado soviético contra Deus", numa paródia de tribunal popular, presidida pelo Comissário de Instrução Popular, Anatoly Lunacharsky (1875-1933), político e escritor soviético. Este tribunal achou Deus culpado das acusações que Lhe fizeram, e condenou-o à morte, sendo a sentença executada por meio de uma salva de armas voltadas para o céu. Em 1933, Lunacharsky foi nomeado embaixador na Espanha, mas morreu quando se mudava para Madrid. O colunista da Religião na Liberdade, Pablo J. Ginés, é o autor deste extenso artigo do qual reproduzimos um fragmento.
Lunacharsky e o Estado soviético declararam Deus culpado e dirigiram-lhe 5 rajadas de metralhadoras
Fez cem anos em 16 de janeiro de 1918, que começou o "julgamento do Estado soviético contra Deus", e terminou muito rapidamente no dia seguinte: Deus foi condenado à morte e Eles dispararam 5 rajadas de metralhadora em direção ao céu. A defesa tentou reivindicar "transtorno mental", sem sucesso, dizem as crónicas.
Os bolcheviques apenas estavam no poder há 3 meses e controlavam Moscovo, São Petersburgo e a Rússia central. Eles só tiveram o controlo total do país em outubro de 1922 com a conquista de Vladivostok e o fim da guerra civil. Em janeiro de 1918, os assassinatos em massa de clérigos ainda não tinha começado. Fuzilar a Deus era um gesto simbólico e humilhante, para "justificar" o que depois se seguiria.
DE MATAR DEUS, A MATAR HOMENS
Uma vez que se “mata” Deus, matar homens não custa muito: antes de Lenine ter morrido em 1924, cerca de 25 mil eclesiásticos ortodoxos foram presos e 16 mil executados, de acordo com um estudo realizado em 2004 pela PhD em Ciências Matemáticas Nikolay Yemelianov, da Universidade Humanitária San Tijon. Mais tarde, com Estaline, haveria muitas dezenas de milhares mais de cristãos assassinados pela sua fé às mãos dos comunistas.
O teatro do "julgamento de Deus" criou escola e tentou usar o humor para humilhar os crentes das diferentes religiões. Entre 1920 e 1924, o ateísmo militante fez com que os insultos florescessem contra os cristãos. Nadezhda Dozhdikova, professora de literatura da Academia de Artes Teatrais de São Petersburgo, estudou algumas peças ofensivas contra os crentes.
A mais famosa foi o "Juízo contra Deus" de Rezbushkin, que procurava deixar claro que as suas crenças eram ridículas e bobas. Esta peça foi exibida nas ruas, em frente às igrejas. Também a União dos Sem Deus, a grande associação militante ateia estava ao serviço do Partido.
O juízo e e o fuzilamento de Deus
Quem ordenou atirar em Deus? O “povo", é claro. Mas quem era aquele "povo" realmente? Eram os comunistas em Moscovo presididos por Anatoly Lunacharsky, um intelectual que acrescentou dois temas de interesse: religião e dramaturgia. Ele gostava de fazer essas coisas.
Em 16 de janeiro, há 100 anos, diante de uma grande audiência em Moscovo, começou a primeira sessão do julgamento contra Deus. Durante mais de cinco horas foram lidas as acusações do "povo russo, representando a espécie humana" contra "o acusado". O mais claro foi que Deus foi acusado de "genocídio". Talvez fosse uma projeção psicológica do que estava para vir, o mar de assassinatos que o comunismo causaria nos 70 anos seguintes ao redor do mundo.
Uma Bíblia foi colocada no banco dos réus: pelo menos Deus estava bem representado. Os promotores ofereceram muitas evidências com base em testemunhos históricos. Deus tinha defensores nomeados pelo Estado soviético, que exigiam a absolvição do réu.
Em poucas horas, o tribunal finalmente declarou Deus "culpado" pelos crimes de que Ele havia sido acusado: genocídio e crimes contra a humanidade. Lunacharski, com pompa teatral, proclamou a sentença: Deus morreria executado na manhã seguinte, 17 de janeiro, sem a possibilidade de apelar para qualquer tipo de recurso ou estabelecer o menor adiamento. Conforme detalhado por Eduardo Galeano, a execução não foi feita com espingardas, mas com metralhadoras: cinco rajadas para o céu.
Deus hoje, na Rússia e no mundo
Cem anos e muitos assassinatos decorridos, no século 21, parece que afinal Deus não morreu. Creem n’Ele 7 em cada 10 pessoas no mundo, só se declarando ateus um em cada dez - dados da pesquisa 2017 WinGallup.
Em 2016, apenas 14% da população russa declarou "eu não acredito em Deus".
Afinal, o Deus que eles “fuzilaram” está mais pujante do que nunca!
Quão ridícula tem sido a figura dos que se dizem ateus! Bem diz Deus na Sua Palavra eterna que os tais enlouqueceram:
"Disse o néscio [ou, LOUCO] no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis ..." (Salmo 14:1).




