05-02-2018 - “Os ateus não têm o monopólio da ciência”, lembra o biofísico Alister McGrath
Alister McGrath, formado em biofísica, conhecido pelos seus livros de apologética, autor de "O DELÍRIO DE DAWKINS - uma resposta ao fundamento ateísta de Richard Dawkins" e "O DEUS DE DAWKINS", deu uma longa entrevista a um programa de rádio na Inglaterra esta semana. Ele indica que “não há dúvida que a nossa cultura voltou-se para uma maneira de pensar ateísta”. Em grande parte, isso ocorre por causa das universidades, onde questões de fé geralmente não são bem-vindas.
McGrath disse que viveu uma “fase ateia” quando estudava na conceituada Universidade de Oxford. “Eu acreditava que a ciência e o ateísmo andavam de mãos dadas. No entanto, quando passei a investigar a história e a filosofia da ciência, descobri rapidamente o quanto essa visão era superficial”.
Após meses dedicando-se à pesquisa das religiões, ele converteu-se a Cristo e ao cristianismo e prosseguiu nos estudos, até concluir o pós-doutoramento em biofísica molecular. “A ciência simplesmente tenta oferecer uma explicação do mundo natural. Isso não é ateísmo, simplesmente é algo não espiritual, no sentido em que deixa Deus fora das coisas, como uma questão de princípio”, conta.
Para o erudito, que é também professor da cadeira de Teologia, Religião e Cultura, na King’s College de Londres, “Isso não é realmente um problema. Os ateus não têm o monopólio da ciência. Os cientistas cristãos podem facilmente colocar Deus de volta na sua perceção do universo, argumentando que isso faz muito mais sentido do que o não teísmo”. Para ele, “Se pudermos pensar apenas em termos de respostas naturais, as melhores respostas científicas às questões sobre o universo acabarão por se resumir e reduzir a ‘É assim que as coisas são’. Ora, não existe um ponto de referência além da natureza, como o que é fornecido por Deus”.
O professor diz que abandonou o ateísmo por acreditar que “faz muito mais sentido do que as outras alternativas”. Ele cita o teólogo William Inge (1860-1954) que afirmava: “O racionalismo tenta encontrar um lugar para Deus na sua imagem de mundo. Porém Deus … não pode ser colocado num diagrama. Ele é mais como a tela do que a imagem pintada nela”.
O biofísico diz que Deus é uma explicação válida para o universo, pois “a fé está ligada ao reconhecimento de um ‘quadro maior’, que nos permite dar sentido à nossa experiência, da mesma maneira que um mapa dá sentido a uma paisagem. [A fé] permite-nos ver as coisas com mais clareza e entender como elas estão relacionadas”.
Embora esteja ciente que não pode oferecer uma argumentação que convença todos os cientistas, explica que “do ponto de vista da ciência, o universo surgiu por processos que realmente não entendemos e não temos como verificar. Não podemos ir atrás do big bang. Mas pode-se ver como a doutrina cristã da criação se encaixa, dando-nos uma explicação de porque o universo existe e não apenas um relato de como aconteceu”.
Ele oferece uma analogia para explicar o seu raciocínio: “Uma das coisas que a ciência deixou bem claro é que os seres humanos procuram ativamente o significado para as suas vidas. É assim que somos. Para os cristãos significa que possuímos um ‘instinto de aproximação’ ao Deus que nos criou e quer que voltemos para Ele. É como a busca de alimentos. Precisamos de alimentos para sobreviver, e há comida lá fora esperando ser encontrada. É o mesmo com o significado. A nossa própria fome sugere que existe algo ‘lá fora’, pronto para ser descoberto. Precisamos de algo maior para nos dar sentido e ao nosso mundo”.
Concluiu dizendo que, no seu novo livro Inventando o Universo, ele defende que “Os cristãos não inventaram um sentido para lidar com um mundo sem sentido. Nós discernimos o significado neste mundo que foi criado e é amado por Deus. E precisamos dessa visão para que possamos não apenas existir, mas sobretudo viver”.
- in Premier Christian Radio
Alister Mcgrath
O ex-ateu Alister McGrath é professor de teologia histórica da Universidade de Oxford e pesquisador sênior do Harris Manchester College. Possui doutorados em biofísica molecular e em teologia pela Oxford. Seu interesse principal se concentra na história do pensamento cristão, com ênfase particular na relação entre as ciências naturais e a fé cristã.
Os livros referidos acima:





