20-03-2018 - Notícias falsas circulam 70% mais rápido do que as verdadeiras, diz pesquisa

Saiba como identificar a autenticidade de uma informação recebida.
Já recebeu uma notícia bombástica nas redes sociais e pensou duas vezes antes de partilhar? Sabia que na Internet as notícias falsas circulam 70% mais rápido do que as verdadeiras? Os dados são do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos.
Os pesquisadores analisaram 126 mil mensagens partilhadas entre 2006 e 2017 no Twitter. No total, três milhões de pessoas publicaram ou partilharam histórias falsas 4,5 milhões de vezes. As principais mensagens analisadas chegaram a ser disseminadas oito vezes mais do que as verdadeiras.
O alcance também é maior. Enquanto os conteúdos verdadeiros em geral chegam a mil internautas, as principais mensagens falsas são lidas por até cem mil pessoas.
Uma atitude perigosa
O principal problema é que na maioria das vezes o internauta acredita estar a fazer algo bom, alertando amigos quanto a um perigo ou dando uma informação valiosa. Ainda que cercado de boas intenções, o gesto de partilhar notícias suspeitas pode ter desdobramentos sérios.
Em 2017, um jovem brasileiro foi obrigado pela Justiça a se retratar publicamente nas redes sociais após espalhar boatos de que havia mantido relações sexuais com uma universitária. Centenas de pessoas partilharam a publicação. O inquérito policial foi encaminhado para a Justiça e uma audiência de conciliação determinou que o acusado deveria publicar uma retratação pública nas suas redes.
Espalhar inverdades pode trazer consequências graves, tanto para a vítima, quanto para o prolator. No âmbito civil, o disseminador pode, dependendo do caso, responder por injúria, difamação ou calúnia, crimes previstos no Código Penal.
Existem várias formas de conferir se uma notícia é verdadeira antes de a partilhar. Conhecer a fonte da informação pode ser um bom caminho. Reunimos abaixo algumas dicas de como conferir a veracidade das informações disponíveis na Internet.
A notícia é “bombástica” ou “boa demais pra ser verdade”?
Exercite o bom-senso. A notícia parece inacreditável, escabrosa ou boa demais para ser verdade? Desconfie. Certifique-se da autenticidade das informações antes de reproduzir, principalmente quando elas são fruto de uma partilha em massa. Normalmente esse tipo de conteúdo tem muitos objetivos, menos ser útil ao leitor.
Verifique se algum site de confiança fala sobre o assunto
Continua desconfiado? Então confira se sites confiáveis referem o assunto. Essa é uma boa forma de dissolver qualquer dúvida.
Confirme se o portal tem boa reputação
Localizou um site que fala sobre o assunto, mas não o reconheceu? Não é porque a notícia está disposta em um portal da web que ela é verdadeira. Antes de acreditar no conteúdo, verifique se o site é conhecido, se tem boa reputação, se há uma equipe de profissionais por trás dele. Confira ainda se a matéria é assinada. A maioria das notícias falsas não tem um autor identificado.
A informação é datada?
Notícias mentirosas normalmente não identificam datas, por isso é difícil precisar se o facto aconteceu há uma semana, ou há dez anos. Desta forma, boatos antigos ou informações velhas vez por outra voltam à tona.
Possui fontes sérias?
Pode até ser que a notícia esteja datada e assinada, mas as informações do texto precisam ser creditadas a uma fonte confiável. Caso contrário é necessário ter cautela com as informações apresentadas, pois elas podem ser falsas, incompletas ou mesmo tendenciosas. Matérias sérias sustentam sempre as informações prestadas em fontes confiáveis. Essas fontes podem ser pesquisas de institutos especializados, órgãos governamentais responsáveis por determinada área ou especialistas no assunto em questão.
Para não restar dúvidas
Existem ainda sites especializados no esclarecimento de boatos espalhados na Internet como o boatos.org, eles são uma boa alternativa para quem deseja confirmar certas informações, de maneira pratica. Se ainda com todas essas dicas, ainda não tem a certeza se compartilha ou não determinado conteúdo, o melhor a fazer é ficar com a premissa cristã de que “se há dúvida em algo, não faça”.
- in Agência Brasil e G1




