21-03-2018 - Museu particular possui mais de 8 mil Bíblias

São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, Brasil, abriga a maior coleção particular de Bíblias do Brasil e uma das maiores do mundo. Na casa do pecuarista e ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera Mano Filho, crente professo (conheça a história ao fundo), existem mil exemplares, em 2.800 idiomas
As Escrituras ocupam as prateleiras dos dois andares da casa, num condomínio de luxo. Entre elas, partes da primeira edição da Bíblia impressa pelo alemão Joahnnes Gutenberg utilizada no século 14.
Uma versão igual, só que completa, foi vendida em leilão por cerca de R$ 30 milhões de reais (quase 10 milhões euros).
Além da versão que ajudou a começar a Reforma Protestante, existem outras raridades na coleção, como uma Bíblia de 1487, editada por Francis Fry, escrita em latim. Ela fica junto à primeira tradução em português, de 23 volumes, feita por João Ferreira Almeida.
Um exemplar do Torá – 5 primeiros livros da Bíblia – é datado do ano 900 e foi feito em pergaminho. Da Inglaterra ele obteve outra preciosidade: a Bíblia real que era utilizada pela rainha Elizabeth. O exemplar ainda está na caixa original. Há exemplares em línguas como o inupiat, falada na costa ocidental do Alasca, e até algumas em dialetos africanos.
Chamam a atenção os manuscritos originais, escrito em papiro, em couro, folhas de bananeira, entre outros materiais. A coleção conta com um exemplar da Bíblia feita em velino (couro de ovelha), em 1200. Cada página significa uma ovelha morta. “O papiro não podia ir para regiões frias, então faziam em velino. Para fazer uma dessas precisa de 500 a 600 ovelhas e o serviço demora de 13 a 15 anos, por isso era caríssima e inacessível”, conta.
“É um hobby e uma maneira de preservar a história. O brasileiro tem a memória muito curta. Além disso, a Bíblia é o alicerce, contém os valores judaico-cristãos, que são a essência da nossa civilização, base da democracia, do trabalho. É o corrimão da estrada da vida”, explica o colecionador.

A origem da coleção
António Cabrera Mano Filho, o coleccionador, é terceira geração da família que cuida do acervo. No total, entre Bíblias, livros e manuscritos, todos sobre religião, são cerca de 63 mil objetos.
O primeiro contacto da família do Cabrera Mano com a Bíblia foi através de Belino, bisavô de António. Ele era italiano e chegou ao Brasil no século 19, onde trabalhava na construção do caminho de ferro. Certo dia, para fugir da chuva abrigou-se numa pequena construção, que ficava a caminho de casa.
Era o templo de uma igreja presbiteriana, que naquele momento realizava um culto. “[Belino] Sentou-se no último banco e o pastor dizia ‘só Jesus salva’. Ele achou aquilo o máximo, tirou o chapéu da cabeça, atirou-o para o meio do corredor e repetiu isso umas três vezes. E ninguém fez nada. Ele chegou a casa e disse à minha bisavó que no domingo seguinte queria que ela levasse as filhas àquela igreja porque as pessoas eram amigáveis e contavam bonitas histórias da Bíblia”, conta o ex-ministro.
Uma das filhas, a avó de António, começou a guardar atas e livros, dando início à coleção. “Isso faz quase cem anos e até hoje vamos à igreja. Faço parte da Igreja Presbiteriana Central e dou aulas lá aos domingos”, conta Mano Filho.
- in Diário da Região (Brasil)




