20-08-10 - Quirguistão: Juíza Cristã desafia regime corrupto
Nos últimos meses, a violência étnica chamou a atenção para a nação do Quirguistão na Ásia Central. O ex-presidente Bakiyev, dirigia um regime corrupto, e quem o desafiava, enfrentava um grande risco.Em Abril manifestantes anti-governamentais lançaram uma revolução que acabou com o regime de Bakiyev. As tropas do governo reagiram com disparos no dia seguinte, deixando cerca de 88 mortos. Os acontecimentos dessa semana não só mudaram o país, como também a vida da juíza Cristã Anarkul Toksobayeva (na foto).
"O meu pastor disse-me:" Deus fez esta revolução para si ", disse a juíza.
Ela precisava de uma intervenção divina, porque funcionários do governo muitas vezes interferiam nas decisões do tribunal.
"Lembro-me especialmente de dois casos. Um deles pediu-me para culpar alguém que eu tinha a certeza de que estava inocente. O outro era libertar como inocente alguém que era de facto culpado. Então, eu orei, porque também chamaram os superiores e disseram-me que devia decidir daquela forma", diz Toksobayeva.
A família comunista de Toksobayeva educou-a como ateia. Como na maioria das ex-repúblicas soviéticas, houve uma nova abertura no país após a queda da União Soviética. E apesar do Quirguistão ser um país Muçulmano, muitos converteram-se a Cristo.
A fé de Toksobayeva em Cristo fê-la tomar decisões justas. Ela estimulava muitas vezes outros juízes a rejeitar as exigências dos funcionários corruptos do governo.
"Criei coragem e disse abertamente que não iria participar naquilo. Abri a Bíblia na frente de outros juízes descrentes, e comecei a ler e a orar em voz alta. Orei e li a Bíblia em voz alta por 40 minutos. Os meus colegas achavam que eu estava louca", acrescentou a juíza.
Esta firmeza meteu-a em problemas com o governo de Bakiyev. Ela disse que os agentes da KGB colocaram dinheiro no seu escritório e, em seguida acusaram-na de ter recebido um suborno: "É claro que a principal razão para me fazerem isso, era neutralizarem-me por não seguir os seus pedidos injustos. Eu disse: não podem fazer-me nada a mim. Eu temo a Deus, porém não vos temo ", acrescenta Toksobayeva.
Então veio uma batalha legal de quatro anos, em que no final perdeu o caso no tribunal de apelo em 6 de Abril de 2010 – no mesmo dia em que começou a revolução.
Toksobayeva disse: "Eu não tinha ideia do que havia acontecido a Bakiyev e aos políticos, senão ao fim da tarde do dia seguinte. Recebi um telefonema de alguém que me disse que Bakiyev tinha ido. Eu louvei ao Senhor, agradecendo-Lhe por tudo isto!"
"O Livro de Jó foi meu companheiro durante os tempos difíceis" - Anarkul Toksobayeva
No início de Junho - com o presidente e vários dos seus sequazes fora do poder - o Supremo Tribunal ordenou que não havia nenhuma prova contra Toksobayeva e ela foi absolvida. Durante este tempo, ela diz que o livro de Jó, no Antigo Testamento motivou-a: "Ele foi como meu companheiro durante o tempo difícil. Precisamos de nos agarrar, ser fortes e perseverar através de toda a dificuldade e problema", diz a juíza Anarkul.
Em meados de Junho, o povo do Quirguistão sofreu mais dificuldades, já que os ataques de fiéis de Bakiyev forçaram 400 000 pessoas a fugir de suas casas, e cerca de 2.000 pessoas foram mortas. Alguns uzbeques regressaram às suas aldeias, mas muitos temem que a violência possa ressurgir.
Futuro optimista
Vários meses depois de derrubar o presidente Bakiyev no Quirguistão algumas pessoas ainda temem que de alguma forma o ex-presidente volte ao poder. No entanto, eles estão optimistas sobre o futuro.
Recentemente, os eleitores acordaram em mudar a Constituição para dar ao seu parlamento e ao primeiro-ministro mais poder. As eleições legislativas serão em Outubro, e o país ruma para a democracia, Toksobayeva pede aos Cristãos para orarem por uma reforma justa, líderes honestos e juízes independentes.
A juíza dá graças a Deus por Ele ter mudado a sua vida e as vidas de muitos seus compatriotas: "Sei que o Senhor é o chefe de cada Poder. Estou surpresa com quão poderoso Ele é. Ele pode mudar as coisas num minuto e ele nunca chega tarde" .




