02-07-2018 - A crise moral da sociedade é resultado da apatia da igreja
Estudioso faz um alerta: “Se comprometermos nossa mensagem, acabaremos amordaçados de vez”.
O escritor e preletor biblicista Michael Brown, conhecido pelo programa de rádio “In The Line of Fire”, transmitido para muitos países de lingua inglesa, chama a atenção da igreja para a evidente “crise moral” dos nossos dias.
“Estou muito triste e abalado, por isso levantarei minha voz e direi claramente: O silêncio dos nossos púlpitos ajudou para que a sociedade atravessasse essa grande crise moral. Precisamos ter coragem e integridade para enfrentar isso!”, afirmou ele num artigo recente.
“Estou falando dos pastores e líderes que não têm sido uma voz bíblica. Eu estou falando sobre a necessidade de falarmos a verdade em amor, independentemente das consequências. Precisamos confrontar o pecado na sociedade e também na Igreja. O mandamento é para que nos conformemos à imagem de Deus e não do mundo. Obediência é mais importante que ‘relevância’; é mais importante agradar a Deus que entreter as pessoas”, desabafou.
A sua análise é que a mensagem da maioria das igrejas ocidentais acabou por ser diluída. A ideia de que “cristãos podem ser gays” é cada vez mais aceite e já surgiram igrejas focadas especificamente nesse público. Mas isso não é tudo, o foco na prosperidade e a tentativa de agradar às pessoas para que assim as igrejas fiquem cheias, prejudicou muito a mensagem que deveríamos estar a comunicar ao mundo, avalia Brown.
Ele faz uma dura admoestação, baseada na experiência de quem prega com regularidade em diferentes países do mundo. “O nosso objetivo deve ser seguir o exemplo de Jesus e dos apóstolos – mesmo que isso conduza à rejeição, perseguição e morte – em vez de seguir um ‘modelo’ de sucesso. O que vejo com frequência são mensagens [dos púlpitos] falando sobre ter sucesso na terra, e não o sacrifício pelo Senhor que defendiam os autores [do Novo Testamento]”.
A sua queixa, em parte, é pelas críticas que o vídeo “Can You Be Gay and Christian? Podes ser gay e cristão?], produzido pelo seu ministério, vem sofrendo. O Dr. Brown escreveu um livro com o mesmo título em 2014 e avalia que a reação poucos anos depois mostra como a sociedade se aproxima da normalização da “ditadura gay”.
Cheio de versículos e repetindo a mensagem bíblica e historicamente defendida, o material foi denunciado no Youtube por “discurso de ódio”. Os comentários mostram que há muitos que se dizem cristãos falando em “homofobia” da igreja e demonstrando apoio irrestrito às relações homoafetivas.
Segundo ele, logo após o YouTube ter desativado o seu canal, o Google enviou-lhe um e-mail “lembrando as suas diretrizes contra o conteúdo de ódio”.
A avaliação do erudito é pessimista. Ele lembra que os líderes islâmicos também condenam a homossexualidade, mas raramente são criticados por isso.
“Quantos pastores e líderes pregaram uma única mensagem clara sobre a Bíblia e a homossexualidade no ano passado? Quantas dessas mensagens viu na TV ou ouviu na rádio ou ouviu pessoalmente?”, questionou. “Não é de admirar que muitos LGBTs estejam fortalecidos. A maior parte da igreja ficou em silêncio por muito tempo sobre isso.”
Destacando que há mensagens cada vez mais incisivas pró-LGBTs na televisão, nos filmes e vindas dos tribunais de várias nações. “Enquanto isso, há um silêncio ensurdecedor nos púlpitos. Ou a mensagem é tão confusa que a única coisa que fica clara é que nada está claro. Ao tentar não ofender ninguém, ofendemos a Deus”, sentenciou.
O teólogo acredita que é preciso uma análise honesta por parte dos pastores e líderes cristãos. A sua conclusão é que “a igreja não se preparou para a batalha dos nossos dias, não uma guerra literal, mas o conflito moral, espiritual e cultural, em que estamos envolvidos diariamente”.
Finalizou lembrando que existem líderes que se posicionam contrariamente, mas acabam por ser uma voz dissonante no meio de tantos que parecem ter sucumbido ao “politicamente correto”. O alerta dele é bem claro: “Se comprometemos a nossa mensagem, sendo cobardes, sem postura e sem visão diante de uma das maiores crises morais da história, acabaremos amordaçados definitivamente”.




