15-08-2018 - Estudo revela que metade das manchas de sangue do "Santo" Sudário são falsas

Um estudo realizado por dois italianos especialistas em medicina forense chegou à conclusão de que pelo menos metade das manchas do Sudário de Turim, chamado Santo Sudário, tecido que segundo a tradição católica foi usado para envolver o corpo de Jesus Cristo, são falsas.
O estudo, publicado no Journal of Forensic Sciences, foi feito por Matteo Borrini, da Liverpool John Moores University, e por Luigi Garlaschelli, do Comité para o Controlo das Afirmações sobre as Pseudociências (CICAP), e divulgado no passado dia 17 se julho pelo jornal italiano “La Stampa”.
“Existem muitas contradições que indicam que o "Santo" Sudário não é autêntico, e que se trata de uma representação artística ou didática da paixão de Cristo feita no século XIV”, concluíram os pesquisadores.
Garlaschelli emprestou o próprio corpo para fazer a experiência, no qual usou sangue verdadeiro e artificial.
Os estudiosos basearam-se na mesma metodologia usada para cenas de crimes e determinaram que muitas manchas de sangue não são compatíveis com a posição de uma pessoa crucificada.
“Simulámos a crucificação com cruzes de diferentes formas, de diversos tipos de madeira e com diferentes posições do corpo: braços na horizontal, vertical, sobre a cabeça”, contaram os especialistas.
A famosa relíquia, que fica em Turim (norte da Itália), é um tecido de 436 centímetros de comprimento por 110 de largura, e pretende representar um homem que foi crucificado com pregos nas mãos e nos pés.
O pano, que de acordo com explicações científicas seria “falso”, foi fotografado em 1898 pela primeira vez.
Desde então, a relíquia desperta todo o tipo de debate, tanto científico como teológico, pelo qual a Igreja Católica não manifestou oficialmente a sua aceitação ou recusa, considerando que se trata de uma manifestação de devoção popular.
Em 1988, três laboratórios dos Estados Unidos, Suíça e Inglaterra estabeleceram que o linho foi fabricado na Idade Média, entre 1260 e 1390.
Borrini e Galarchelli consideram que o sangue acumulado abaixo da cintura não se justifica com a posição, nem o que se encontra entre os rins, embora tenham detalhado que não analisaram a substância que formou as manchas.
“Parecem criadas de forma artificial, com um dedo ou um pincel”, destacaram.
- in AFP




