21-12-2018 - John Piper alerta famílias sobre riscos de levar filhos a crerem que o Pai Natal existe

As vésperas do Natal reacendem sempre um velho debate no meio cristão: pais devem embarcar na cultura popular e deixar os filhos viverem a fantasia do Pai Natal, ou informá-los, desde cedo, sobre o real sentido da festa? O pregador John Piper escreveu as suas reflexões sobre o assunto e aconselhou a não substituir o nascimento de Jesus pelo “mito” comercial.
A sugestão de Piper é que os pais se esforcem por ensinar aos filhos sobre o Pai Natal sem contar mentiras, pois isso facilitará o desapego no futuro: “Estamos enganando as crianças ao contar essa história como uma simples declaração de factos? ‘O Pai Natal mora no Pólo Norte’; ‘O Pai Natal voa com renas’; ‘O Pai Natal deixa presentes debaixo da árvore’; ‘O Pai Natal é servido por elfos’. Apresentar esse mito como facto é mentir aos nossos filhos”.
Para contextualizar o seu conselho, Piper diferenciou as mentiras no contexto dO Pai Natal com as histórias ilustrativas que se valem de fantasias, como As Crónicas de Nárnia, do escritor cristão C.S. Lewis, ou ainda as parábolas de Jesus: “As crianças devem saber que são inventadas e devem saber por que os pais contam histórias inventadas às crianças. Eu acho que é bom contar histórias inventadas às crianças”, explicou.
O problema, na visão do pregador, é que o conto dO Pai Natal termina ofuscando o real sentido do Natal: “Porque é que um cristão, que encontrou em Jesus Cristo o maior tesouro do mundo, o comercializa por qualquer outra coisa? Porque é que ele, que vê na vida, morte, ressurreição e reinado de Jesus a mais incrível história do mundo, conta outra história? Porque é que ele substituiu Cristo por um mito patético e não bíblico como o Pai Natal, cuja mensagem é ‘é melhor seres bom e não chorares’? Eu simplesmente não consigo entender”, observou no podcast publicado no Desiring God.
O esforço de convencimento do pregador veio acompanhado de uma dura crítica, dizendo que priorizar o Pai Natal ao falar às crianças sobre o Natal é uma demonstração de “fracasso” na jornada de fé cristã: “É um compromisso sincrético com a cultura que diz: ‘Pobre Jesus. Ele é invisível. O Pai Natal não é, pois pode vê-lo no shopping. O pobre Jesus não faz rondas num trenó no céu, deixando brinquedos debaixo da árvore’”.
“Se Cristo não pode competir com o Pai Natal nos corações dos nossos filhos, nós não conhecemos o verdadeiro Cristo. Os seus filhos têm espaços vazios do tamanho de Cristo nosseus corações. Eles não sabem disso. Tem de lhes mostrar, mas isso não pode ser feito com o Pai Natal, somente com Cristo”, reiterou.
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