26-12-2018 - Missionário é morto com flechas após contacto com tribo isolada

Um missionário americano foi morto com flechas após entrar na aldeia de uma tribo indígena que vive isolada na Índia. Segundo os pescadores que recolheram o corpo, John Allen Chau foi deixado na praia da ilha de North Sentinel.
O local é proibido para visitantes. Contudo Chau, 27 anos, ignorou a advertência, explica o jornal inglês “The Sun”. Ele desejava chegar àtribo para pregar-lhes o Evangelho, conforme registou no diário que estava junto ao corpo.
“Ele tentou chegar à ilha Sentinel em 14 de novembro, mas não conseguiu. Dois dias depois, conseguiu ajuda de pescadores para chegar ao local”, disse uma fonte. Há registos de que o missionário teria tentado contacto com os indígenas em outras cinco ocasiões.
O corpo de John Allen foi arrastado pelos indígenas hostis por uma corda presa ao seu pescoço. Ainda com as flechas cravadas, foi abandonado em uma praia. A North Sentinel é parte do remoto arquipélago de Andamã e Nicobar.
A polícia local trata o caso como homicídio. Como os indígenas não podem ser indiciados, já que não são imputáveis segundo as leis locais, os pescadores que o ajudaram foram indiciados pela Guarda Costeira e considerados cúmplices na morte.
Os não alcançados
O britânico Neil MacLeod, ouvido pelo “Sun” disse que conheceu John num voo transatlântico há algum tempo atrás. Segundo ele, o jovem dizia que achava ser sua chamada alcançar a tribo.
“Ele tinha uma noção muito clara de que precisava levar a Palavra de Deus às pessoas não alcançadas”, lembra MacLeod.
Não há registos que Chau pertencesse a uma organização missionária. Na sua conta nas redes sociais, onde mostrava que costumava fazer trabalho voluntário, definia-se como “seguidor do Caminho”.
- in Gospel Prime
John Allen Chau era um amante da Natureza e das situações limite. Já passou verões sozinho numa cabana na Califórnia e quase perdeu uma perna depois de ter sido picado por uma cascavel. Encontrou a morte quando tentou aproximar-se de uma ilha onde vive uma das tribos mais misteriosas do planeta, conhecida por atacar quem os visita.
Chau tinha 26 anos e era natural do Estado de Washington, onde estudou numa escola cristã em Vancouver. Em 2014, entrou na Roberts University, uma instituição cristã de Oklahoma, que lhe permitiu estreitar relações com a comunidade religiosa dedicada às missões.
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Terá sido com o propósito de evangelizar os Sentinelas, que vivem isolados na Ilha de Sentinela, no Golfo de Bengala, que Chau entrou numa aventura que se revelou fatal, tentando visitar aquela tribo, considerada por especialistas como sendo a "mais isolada do Mundo".
A estação "CNN" explica que o norte-americano pediu a um amigo que encontrasse um barco e alguns pescadores para o ajudar a chegar mais próximo da ilha, ultrapassando os limites legais, que impedem que estrangeiros se aproximem do local por motivos de segurança.
Do barco, um dos pescadores contou que Chau usou uma canoa para chegar à costa da ilha no dia 16 de novembro, regressando no mesmo dia com ferimentos de setas.
Apesar do risco, voltou a tentar chegar à ilha no dia seguinte e nunca mais foi visto. Mais tarde, os pescadores viram membros da tribo a arrastarem o corpo do homem.
Notas do diário revelam encontro violento
No diário que ele tinha e que um dos pescadores que o levou até próximo da ilha entregou às autoridades, o rapaz contou como foi o encontro com a tribo. "Eu remei como nunca de volta ao barco. Senti medo e fiquei desapontado porque eles não me aceitaram", explicou, contando como foi a primeira tentativa de contacto.
"Vocês devem pensar que sou maluco, mas eu acho que vale a pena para apresentar Jesus a estas pessoas", disse, numa carta dirigida aos pais, e a que o jornal "The Guardian" teve acesso, justificando a segunda tentativa de contacto.
Sete pessoas, incluindo os pescadores que o ajudaram a chegar perto da ilha, foram detidas, segundo o "Irish Times".
Numa publicação no Instagram, na quarta-feira, a família do rapaz disse que perdoava os membros da tribo e pediu para que as pessoas que o ajudaram fossem libertadas. Na publicação, os familiares descreveram Chau como sendo "um filho, irmão e tio muito amado", assim como um missionário cristão.
- in Público




