15-11-10 - Presidente da República Checa, Vaclav Havel arrasa filosofia ateia
A primeira civilização global e deliberadamente ateísta está a rumar para o desastre. O primeiro presidente da moderna República Checa, Vaclav Havel, uma das figuras políticas e literárias mais respeitadas na recente história da Europa, disse a uma audiência esta semana que o Ocidente “perdeu a sua ligação ao infinito e à eternidade”, com o resultado de que “o incessante colectivismo consumista está a dar à luz um novo tipo de solidão”.A desligação do Ocidente à eternidade, disse ele, “é porque o Ocidente sempre dá prioridade aos lucros de curto prazo em detrimento dos lucros de longo prazo. É importante se um investimento dá retornos dentro de dez ou quinze anos, é menos importante como influenciará a vida dos nossos descendentes daqui a cem anos”.
O orgulho da civilização global, disse ele, não é “só uma miopia de contágio global, mas também uma auto consciência inchada dessa civilização, cujos atributos básicos incluem a ideia arrogante de que sabemos tudo e o que ainda não sabemos logo descobriremos, porque sabemos como chegar lá”.
“Estamos convencidos de que essa nossa suposta omnisciência que proclama o progresso surpreendente da ciência e tecnologia e do conhecimento racional em geral nos permite servir qualquer coisa que seja comprovadamente útil, ou que seja simplesmente uma fonte de lucro mensurável, qualquer coisa que induza ao crescimento e mais crescimento e ainda mais crescimento, inclusive o crescimento das aglomerações”.
A actual crise financeira do mundo, disse ele, é o resultado do orgulho, chamando-a de “uma chamada bem pequena e discreta à humildade”.
“É um aviso contra a indevida autoconfiança e orgulho da civilização moderna”.
“A conduta humana não é inteiramente imprevisível como acreditam muitos criadores de teorias e conceitos económicos. E essa ideia é ainda menos verdadeira com relação a firmas e instituições ou comunidades inteiras”, disse ele.
“Com o culto do lucro mensurável, progresso comprovado e utilidade visível desaparece o respeito pelo mistério e juntamente a humilde reverência por tudo o que jamais mediremos e saberemos, sem mencionar a questão controvertida do infinito e eterno, que até recentemente eram os horizontes mais importantes das nossas acções”.
A conferência Fórum 2000 em Praga, fundada por Havel, “tem como objectivo identificar as questões chaves com as quais a civilização está se a defrontar e explorar maneiras de impedir a intensificação de conflitos que têm a religião, a cultura ou a etnicidade como factores principais”. O tema da conferência deste ano foi “The World We Want to Live in” (O Mundo em que Queremos Viver).




