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20-04-2019 - Físico ateu reconhece que a ciência “não explicou a origem do universo”

Marcelo Gleiser

 

     O Prémio Templeton 2019 foi concedido dia 19 de março ao físico e astrónomo brasileiro Marcelo Gleiser que, mesmo sem acreditar em Deus, se dedica a mostrar que a ciência e a religião não são inimigas.

     Professor de física e astronomia no Dartmouth College, em New Hampshire, Gleiser, de 60 anos, nasceu no Rio de Janeiro e vive nos Estados Unidos desde 1986. Mesmo sem acreditar em Deus, Gleiser reconhece que o conhecimento humano é limitado.

     “O ateísmo é inconsistente com o método científico”, disse Gleiser à AFP. “O ateísmo é uma crença na não-crença. Então nega-se categoricamente algo contra o qual não se tem provas. Mantenho a mente aberta porque entendo que o conhecimento humano é limitado”.

      O prémio é financiado pela Fundação John Templeton, uma organização filantrópica atribuída em homenagem ao presbiteriano americano que começou a “buscar provas de atuação divina em todos os ramos da ciência”, segundo o jornal The Economist.

     Ele é o primeiro latino-americano a ganhar o prémio, criado em 1973, e vai receber 1,1 milhão de libras esterlinas, o equivalente a 1,3 milhão de euros — superando o Nobel. A cerimónia de premiação será em 29 de maio, em Nova York.

     O físico concentra-se em tornar assuntos complexos acessíveis. Autor de cinco livros de língua inglesa e centenas de artigos nos EUA e no Brasil, Gleiser também explora como a ciência e a religião tentam responder a perguntas sobre as origens da vida e do universo.

     “A primeira coisa que sevê na Bíblia é uma história de criação”, ele observou. “Seja qual for a sua religião, todo mundo quer saber como o mundo teve início”.

     Embora a ciência tenha sua metodologia para explicar a origem do mundo, o físico acredita que as explicações são limitadas. “A ciência pode dar respostas a certas questões, até certo ponto”, apontou Gleiser. “Devemos ter a humildade de aceitar que há mistério ao nosso redor”.

 

Arrogância científica

     Gleiser acha que, muitas vezes, as pessoas que acreditam que o mundo foi criado por Deus encaram a ciência como “inimiga”, “porque elas têm uma visão muito antiquada sobre ciência e religião em que todos os cientistas tentam matar Deus”, observou. “A ciência não mata Deus”.

     Para o físico, que cresceu numa comunidade judaica no Rio, a religião não deve ser afastada da ciência.

     “Quando se ouve cientistas muito famosos fazendo pronunciamentos como ‘a cosmologia explica a origem do universo’ e ‘não precisamos mais de Deus’, é um absurdo completo”, acrescentou. “Porque nós não explicamos a origem do universo”.

- in Guiame

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