02-02-11 - Evangelista Billy Graham faz balanço e aconselha idosos e seus filhos, em entrevista
O evangelista diz que “às vezes cruzou a linha” na política “, e que “a velhice pode ser um momento solitário”, e adverte os crentes de serem “vítimas do próprio sucesso.”Mesmo apesar de lutar com a sua audição, visão, e outros problemas de saúde na sua nona década, Billy Graham continuou a fazer o que ele fez com todos os presidentes americanos desde Harry Truman. No ano passado, reuniu-se e orou com o presidente Obama e, em Dezembro, encontrou-se novamente com o ex-presidente George W. Bush. Mas se ele pudesse voltar atrás e fazer tudo de novo, ele disse à revista Christianity Today que se teria mantido afastado da política. Desde a morte da sua esposa há quase quatro anos, ele passa a maior parte do seu tempo na sua casa em Montreat. Embora raramente apareça em público, o seu filho Franklin Graham disse que o seu pai gostaria de pregar novamente; porém a data não está confirmada.
Apresentamos a seguir a entrevista que a revista Christianity Today fez a Billy Graham:
Primeiro, que aceitem isso como parte do plano de Deus para sua vida, e que Lhe agradeçam diariamente o dom de cada dia. Nós olhamos para a velhice como algo a ser receado - e é verdade que não é fácil. Eu não posso dizer honestamente que goste de ficar velho - não ser capaz de fazer a maioria das coisas que costumava fazer, por exemplo, e ser mais dependente dos outros, e enfrentar os desafios físicos que sei que só vão piorar. A velhice também pode ser um momento solitário - com os filhos espalhados, e o cônjuge e amigos já tendo partido deste mundo.
Mas Deus tem um motivo para nos manter aqui (mesmo que nem sempre o entendamos), e precisamos de recuperar a interpretação que a Bíblia faz da vida e da longevidade como dons de Deus e, portanto, como algo bom. A Bíblia menciona várias vezes pessoas que morreram “em boa velhice” – uma frase interessante (ênfase acrescentada). Por isso, parte do meu conselho é aprender a estar contente, e isso só acontece quando aceitamos cada dia como um dom de Deus e o confiamos nas Suas mãos. As seguintes palavras de Paulo são verdadeiras em todas as etapas da vida, mas especialmente quando envelhecemos: “é grande ganho a piedade com contentamento” (1 Tm 6:6).
A outra parte do conselho que eu daria é, por assim dizer, o outro lado da moeda. É assim: À medida que envelhecemos, devemo-nos concentrar não só no presente, mas cada vez mais no Céu. Este mundo, com todos os seus sofrimentos, pesares e fardos, não é o nosso lar definitivo. Se conhecemos Cristo, sabemos que temos “uma herança incorruptível, incontaminável, e que se não pode murchar, guardada nos céus” (1 Ped. 1:4). Eu sei que não vai demorar muito para eu estar lá, e estou ansioso por esse dia. O Céu dá-nos esperança e torna os nossos presentes fardos mais fáceis de suportar.
O que diria aos filhos que têm pais idosos?
Quando somos jovens geralmente não pensamos muito no envelhecimento, nem no envelhecimento dos nossos pais – não, até que algo nos forçe a pensar nisso. Porém tal vai acontecer, se eles viverem o tempo suficiente. Então a primeira coisa que eu diria àqueles cujos pais estão a envelhecer, é que estejam preparados para tal, e aceitem quaisquer responsabilidades que isso lhes traga. Depois que sejam pacientes com eles. Eles podem não ser capazes de fazer tudo o que já fizeram, mas isso não significa que sejam necessariamente impotentes ou incompetentes. E estejam atentos às suas necessidades - incluindo as suas necessidades emocionais e espirituais. Às vezes, eles só precisam de saber que os filhos estão presentes, e que se importam com eles. Sejam também sensíveis. Ocasionalmente tenho visto filhos serem grosseiros e insensíveis quando lidam com os seus pais idosos, isso só causa ressentimentos e mágoas. Por outro lado, pode tornar-se necessário intervir e insistir que eles entreguem as chaves do carro, ou deixem os filhos tratar das suas finanças, ou ser mesmo necessário tratar de os mover para um lugar onde serão mais bem cuidados. Eles podem resistir, e os filhos precisam de se colocar no lugar deles e perceber o distúrbio que essas alterações lhes podem causar. Mas eles precisam de perceber que os filhos fazem isso porque os amam e querem o melhor para eles. E orem também por eles, para que experimentem a paz e o consolo de Deus à medida que envelhecem. Um dia os filhos também estarão nessa situação, e o que fizerem agora será um exemplo para os seus próprios filhos.
Se pudesse voltar atrás faria algo de modo diferente?
Sim, claro. Eu passaria mais tempo em casa com minha família, e estudaria mais e pregaria menos. Eu não teria tomado tantos compromissos para pregar, incluindo algumas das coisas que eu fiz ao longo dos anos que provavelmente não precisava realmente de fazer - casamentos e funerais e dedicação de edifícios, coisas assim. Sempre que aconselho alguém que se sente chamado a ser evangelista, incito-o sempre a preservar o seu tempo.
Eu também me manteria afastado da política. Eu estou grato pelas oportunidades que Deus me deu para ministrar a pessoas em lugares elevados; as pessoas no poder têm necessidades espirituais e pessoais, como todas as outras, e muitas vezes elas não têm ninguém para conversar. Mas olhando para trás sei que às vezes cruzei a linha, e agora não o faria.
Quais são as questões mais importantes que os crentes enfrentam hoje?
Eu estou grato pelo o ressurgimento evangélico que temos visto em todo o mundo no último meio século ou mais. Ele realmente foi obra de Deus. Não era assim quando eu comecei, e estou espantado com o que aconteceu - novos seminários evangélicos, organizações e igrejas, e uma nova geração de líderes comprometidos com o Evangelho, e assim por diante. Mas o sucesso é sempre perigoso, e precisamos de estar atentos e evitar que nos tornemos vítimas do nosso próprio sucesso. Será que vamos influenciar o mundo para Cristo, ou o mundo nos vai influenciar a nós?
Mas a questão mais importante que enfrentamos hoje é a mesma que a igreja tem enfrentado em cada século: Será que vamos alcançar o nosso mundo para Cristo? Por outras palavras, vamos dar prioridade ao mandamento de Cristo de ir por todo o mundo e pregar o Evangelho? Ou vamos nos virar cada vez mais para dentro, presos aos nossos próprios assuntos internos ou controvérsias, ou simplesmente tornando-nos cada vez mais confortáveis com a nossa posição? Será que nos tornaremos orientados para o interior ou para o exterior? As questões centrais do nosso tempo não são económicas, políticas ou sociais, por mais importantes que sejam. As questões centrais do nosso tempo são de natureza moral e espiritual, e a nossa chamada é declarar o perdão, esperança e poder transformador de Cristo a um mundo que não O conhece nem O segue. Nunca nos devemos esquecer disto.




