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26-02-11 - Estudo diz que o alcoolismo leva ao divórcio

nao_as_dependencias.jpg     Quem abusa do álcool demora mais a casar. E, depois da união consolidada, divorcia-se mais rapidamente. É esta a conclusão de um estudo desenvolvido pela Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, que analisou o consumo de bebidas e as relações matrimoniais de mais de 5 mil pessoas.

     Segundo o advogado Gustavo Bassini, vice-presidente da Associação Brasileira dos Advogados de Família (Abrafam), o abuso do álcool e outras drogas é um problema também para os casais do País. “É um dos principais motivos de divórcio. E, nos últimos quatro ou cinco anos, percebi um aumento de até 300% em casos desse tipo”, diz.

     De acordo com a pesquisa, a dependência entre as mulheres está associada a um risco 23% maior de não se casarem até os 30 anos - para os homens, esse índice é de 36%. Quando casados, homens e mulheres alcoólatras têm duas vezes mais risco de se separarem. O levantamento também constatou uma proporção maior de homens com o problema: 23%, contra 8% de mulheres.

     A pesquisadora Mary Waldron, uma das autoras, afirma que este é o primeiro projecto relacionado ao tema que analisa uma gama tão variada de faixas etárias. No início do alistamento, em 1980, os voluntários tinham entre 28 e 92 anos. Eles foram acompanhados cerca de 10 anos.

     Bassini conta que 25% dos casos de divórcio atendidos no seu escritório de advocacia estão relacionados com o consumo abusivo de álcool e drogas por um dos parceiros. Em 80% das ocorrências, o parceiro problemático é o homem. Em situações como essa, a separação acaba em briga judicial.

     “Após várias tentativas de curar o cônjuge e internamentoss em clínicas, a mulher acaba por desistir do marido.” Então, entra com o pedido unilateral de divórcio e, muitas vezes, a outra parte nem responde ao processo. “Nessa fase, a pessoa não tem interesse em nada a não ser consumir a bebida", destaca.

     Para a psicóloga Vânia Patrícia Teixeira Vianna, da Unidade de Dependência de Drogas (Uded) do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o alcoolismo é um grande factor de risco para o relacionamento familiar. “Não se pode dizer que ele seja o único, mas é um dos elementos que podem levar a desentendimentos e à separação precoce”, explica.

     Patrícia acredita que é importante estar atento aos sinais de alerta para o consumo exagerado. Constatados os factores de risco, o ideal é procurar ajuda de um profissional especializado.

     Sinais de alerta (um dos factores abaixo, isolado, não caracteriza alcoolismo, mas a associação entre eles pode indicar um comportamento de risco):

     - A pessoa, que antes bebia só aos finais de semana, passa a beber quase todos os dias;

     - Começa a faltar a compromissos por causa da ressaca;

     - Desenvolve problemas de saúde potencializados com o uso do álcool, como gastrite ou úlcera;

     - Passa a frequentar só lugares com bebidas (por exemplo, deixa de ir a uma festa infantil porque lá não haverá álcool);

     - Faz várias tentativas de beber menos, mas não consegue cumprir as suas metas.

     Entrevista à professora Mary Waldron:

     Qual a razão de estudar a relação entre alcoolismo e casamento?

     Poucas pesquisas examinaram o impacto do consumo excessivo de álcool no tempo de casamento. Vários reportam associações entre o consumo precoce com futuro alcoolismo e também com casamento precoce, mas a maioria desses trabalhos não seguiu os indivíduos depois dos 30 anos.

     O resultado surpreendeu?

     Sim, surpreendeu especialmente os resultados sobre casamentos tardios. Vários trabalhos anteriores haviam reportado associação entre consumo de álcool precoce com casamento ou coabitação precoce.

     Há relação entre quantidade de bebida consumida e qualidade do casamento também?

     Não examinamos a quantidade ou a frequência da bebida nem a qualidade do casamento. Nossa análise era da relação entre história de vida da dependência do álcool e o tempo das transições matrimoniais.


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