21-02-11 - Carta de missionária às igrejas

Missionária que regressa ao seu país, não encontra onde se congregar e decide enviar carta a todas as igrejas. Leia-a na íntegra.
Depois de vários anos afastada dos Estados Unidos servindo como missionária em França, Mentanna Campbell procurou diversas igrejas e visitou-as para poder começar a congregar-se ali, mas depois de inúmeras tentativas e decepções, a Missionária decidiu enviar uma carta às igrejas relatando o que se passou, aconselhando-as.
Na carta Mentanna mostra que, nos seus procedimentos errados, as igrejas, em vez de conseguirem novas conversões, só afastam as pessoas dos locais de culto.
Eis a carta:
Estou à procura de uma igreja. Já sou crente; por isso posso dizer que sou uma “presa fácil”. Vocês não precisam me convencer que Deus existe ou que é importante ir à igreja regularmente. Faço parte daquela percentagem que se estima em 20% dos membros que se envolvem activamente e estou disposta a servir usando os meus dons. Realmente quero encontrar uma igreja (e quanto antes), mas confesso que essa busca tem sido mais difícil do que esperava.
Vejo tantas coisas que me fazem querer virar as costas e voltar para casa.
Ah, sei que nenhuma igreja é perfeita. Não estou à procura por isso. Porém, tenho ficado surpresa ao ver como é difícil ser visitante, e interrogo-me se vocês realmente se lembram do que sente alguém nessa condição. Portanto, esta carta é só para vos ajudar a entender um pouco do que tenho experimentado enquanto vou de uma igreja para a outra.
Sei que as pessoas que estão na igreja há longo tempo esqueceram-se de como é difícil este processo de busca. Por isso, parem por um momento e escutem-me. Acho que posso dar algumas sugestões úteis à vossa igreja.
Por favor, não criem um espaço para a recepção de visitantes e depois ignorarem as pessoas novas quando estas aparecem. Escolham sabiamente as pessoas que farão parte desse serviço. Sei que é fácil falarmos com alguém que já conhecemos, mas acho realmente que os “recepcionistas” deveriam estar disponíveis e preparados para ajudar qualquer pessoa que apareça no culto e faça perguntas.
Quero dizer que fico feliz ao escutar sobre o exame de condução da vossa filha durante uns minutos, mas depois fico um pouco inquieta. Nós, os visitantes, já chegamos um pouco desconfortados, por isso não me faça esperar muito tempo para depois ser eu a tentar descobrir onde fica a porta para o espaço do culto ou saber se o café vocês oferecem é de graça, ou não.
Por favor, não me ofereçam uma “lembrancinha” só porque fui visitar a vossa igreja. Não preciso de um vale-café do Starbucks ou de uma caneta elegante. É claro que não quero receber uma cópia da Constituição, juntamente com um discurso de 10 minutos sobre o meu dever de votar segundo padrões bíblicos e morais. O presente que vocês me oferecem parece ser um tipo de suborno. Fazem-me sentir como se estivessem a vender uma imagem, em vez de me oferecerem um lugar para pertencer. Quero que a autenticidade e o compromisso que têm com Cristo me façam sentir vontade de voltar, não a promessa de ganhar um livro ou CD.
Não façam chantagem emocional, não apelem para os meus sentimentos de culpa nem despertem em mim a ganância. Não é para isso que vou ao culto. Não me apresentem “passos” para conquistar algo que ainda não tenho, nem me envolvam numa campanha ou me ensinem a comprar o favor divino. Definitivamente, o que desejo ouvir é sobre o amor de Deus e o que posso fazer para conhecê-lo melhor. Poupem-me aos vossos discursos prontos sobre coisas que não fazem parte da minha realidade. Apontem-me tão-somente o caminho e ofereçam-se para andar comigo por ele.
Ofereçam-me uma Bíblia, se quiserem, pois nem todo mundo traz uma consigo o tempo todo, sabem? Dêem-me informações sobre a vossa igreja e o que ela crê, para eu levar para casa e ler com calma. Por favor, não me tratem como a única menina numa sala cheia de rapazes solteiros loucos para se casarem. Digamos que estou mais interessada em quem vocês são e como me olham. Não vou assumir um compromisso antes de ter a certeza que esse é o lugar para mim.
Por favor, falem comigo. Não olhem para mim com ar de julgamento para só depois decidirem aproximar-se. Não se esqueçam de que os visitantes não conhecem ninguém. Nós já nos sentimos diferentes de qualquer maneira. Aproximem-se de nós e estendam a mão. Apresentem-se. Perguntem alguma coisa. Nada é pior do que passarmos mais de uma hora cercado de pessoas e ver que ninguém fala connosco.
Por favor, incluam no vosso site informações sobre como é a vossa igreja. Eu preciso de saber como me vestir e se os meus filhos terão um espaço à parte, ou não. Gostaria de saber mais para estar preparada, caso precise de entreter o eu filho pequeno durante os 45 minutos do sermão.
Por favor, não me obriguem a preencher um cartão de visitante. Não me obriguem a fornecer qualquer tipo de informação. Não fiquem ofendidos nem insistam se eu me recusar a fazer isso. Não quero ferir os sentimentos de ninguém, por isso não me façam inventar desculpas. A verdade é que não estou interessada em preencher nada até ter a certeza de que a vossa igreja pode ser uma boa opção para mim.
Sei que temos muita coisa para fazer. Sei que as pessoas estão ocupadas na manhã de domingo tentando levar os filhos para a Escola Dominical na hora certa ou tentando terminar a conversa no último minuto antes do culto começar. Sei que vocês querem que mais pessoas venham e participem na vossa igreja. Estou apenas a tentar ajudar, tentando lembrar-vos como se sente quem está do “outro lado”.
Obrigado a todos os que realmente nos acolheram, nos conduziram ao lugar do culto, pararam para falar connosco e nos apresentaram aos outros membros. A vossa bondade de conduziu-nos à presença do Senhor, e somos gratos por isso.
Eu amo-vos, igreja. Realmente amo-vos.
Vossa irmã que está à procura,
Mentanna Campbell




