12-02-2020 - Igreja metodista americana divide-se por causa de "casamento" homossexual

A decisão não afeta a Igreja portuguesa, que é autónoma e apenas permite o casamento entre homens e mulheres.
A Igreja Metodista Unida decidiu no dia 3 de janeiro deste ano (2020) que se irá dividir em duas comunidades independentes. Na raiz da divisão está o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo.
A decisão final apenas será tomada numa conferência mundial a realizar em maio, mas tudo indica que levará à formação de uma igreja metodista progressista e outra conservadora.
Os líderes da Igreja Metodista Unida, a segunda maior denominação protestante dos Estados Unidos, propuseram um plano que dividiria formalmente a denominação (após anos de impasse sobre clérigos LGBT não celibatários e "casamento" homossexual) com a formação de uma nova denominação para os metodistas que mantêm um entendimento bíblico do casamento e da sexualidade.
Keith Boyette, signatário do acordo que é presidente da Wesleyan Covenant Association, que reúne mais de 1.000 congregações conservadoras que se opõem ao "casamento" entre pessoas do mesmo sexo, disse ao The Wall Street Journal que, com a nova proposta, a igreja “essencialmente colocou este conflito para atrás de nós.”
Ele estimou que 30 a 40% da denominação nos EUA deixaria a Igreja Metodista Unida.
Sedeada nos Estados Unidos, a Igreja Metodista Unida tem 13 milhões de fiéis naquele país e cerca de 80 milhões em todo o mundo, sobretudo em países e regiões onde foram fundadas missões de americanos. Trata-se de uma das maiores igrejas Cristãs dos Estados Unidos. Há, contudo, outras igrejas metodistas que não dependem desta e que por isso não serão afetadas pela divisão, como é o caso da Igreja Metodista portuguesa, que é autónoma e apenas aceita o casamento entre pessoas de sexo diferente. Já a Igreja Metodista do Reino Unido aprovou em julho de 2019 a "bênção" de "casamentos" entre pessoas do mesmo sexo.
A Igreja Metodista Unida, com 12,5 milhões de membros, está em impasse por questões LGBT há décadas.
Sob o novo plano de nove páginas, uma nova denominação “metodista tradicionalista” seria criada para metodistas mais conservadores. A nova denominação continuaria mantendo um entendimento bíblico do "casamento" entre pessoas do mesmo sexo e se opondo à ordenação do clero de gays e lésbicas.
A aceitação do casamento homossexual tem causado graves divisões em várias comunidades religiosas nos Estados Unidos, e não só. A Igreja Episcopal, ramo norte-americano da Comunhão Anglicana, já se dividiu e há outras divisões, mais ou menos formais, em diferentes confissões Cristãs e também Judaicas.
No caso da Igreja Metodista a decisão chega ao fim de vários anos de discussão e, aparentemente, a separação será amigável.
O conselho de bispos e outros líderes metodistas que chegou à decisão esta sexta-feira considerou tratar-se de “a melhor forma de resolver as nossas diferenças” e Thomas Bickerton, um dos bispos presentes, afirmou que “o protocolo fornece um caminho que reconhece as nossas diferenças, respeita toda a gente durante o processo e permite-nos continuar o nosso percurso de fazer discípulos de Jesus Cristo”
Nos EUA o "casamento" homossexual foi legalizado em todo o país por decisão do Supremo Tribunal em 2015.
- in Renascença e Folha Gospel




