23-02-2020 - Por causa da perseguição, Cristãos Chineses passam a ouvir cultos por fones

A equipa de multimédia da igreja grava semanalmente um ficheiro áudio de todo o culto e distribui-o com segurança aos membros da congregação.
Depois que o Partido Comunista Chinês (PCC) destruiu uma igreja subterrânea em Pequim, a congregação recorreu a uma nova forma de cultuar a Deus. Os cristãos passaram ouvir as mensagens nos seus fones, o que um pastor na igreja chama de "adoração a andar”.
Essa modalidade de cultuar surgiu pela insegurança que os Cristãos enfrentam na China. "Sem termos lugar para adorar, porque nenhum lugar onde nos possamos reunir é seguro, usamos uma forma única de adoração na história da igreja. Chamamos isso de 'adoração a a nadar”, disse Xiang En à Baptist Press (BP).
A equipe de multimédia da igreja grava semanalmente um ficheiro áudio de todo o culto, e distribui-o depois com segurança aos membros da congregação.
"Quando eandamos na rua, no parque, mesmo no deserto, na verdade estamos a ouvir uma gravação áudio do nosso culto de domingo ... naquele ficheiro de uma hora", disse Xiang.
"Nós apenas ouvimos, não podemos falar em voz alta, não podemos cantar em voz alta, e não podemos nos reunir em espaços ao ar livre para adorar, porque qualquer reunião organizada no espaço público será vista como uma ameaça ao PCC na China", explicou.
"Xiang" é um pseudónimo deste Cristão que se mudou para os Estados Unidos em janeiro de 2019, depois que a China fechou a igreja onde se reunia. Ele conversou com a BP por telefone numa entrevista organizada pelo defensor internacional da liberdade religiosa Portas Abertas, após o lançamento da Lista Mundial de Observação dos 2020, dos 50 países mais perigosos para os Cristãos viverem. Nela, a China ocupa a 23ª posição.
Câmaras de vigilância
Ao encerrar o local de culto da igreja em Xiang, a China empregou vigilância tecnológica – agora incluída na categoria de perseguição religiosa da Portas Abertas.
"Em março de 2018, os oficiais do governo ... queriam instalar câmaras de reconhecimento facial dentro do nosso local de culto no púlpito para assistir à nossa congregação", disse Xiang. "É claro que recusamos essa demanda irracional, mas eles ainda instalaram uma câmara de reconhecimento facial no átrio das instalações da nossa igreja, porque alugamos um andar inteiro de um prédio de escritórios".
O rés-de-chão era antigamente uma boate, disse Xiang, mas a igreja transformou o espaço num local de adoração a Deus.
"Por meio dessa câmara, os oficiais do governo podem recolher dados privados dos membros da nossa igreja, onde trabalham, em que escola os seus filhos estão, a que hospital os mais velhos vão, onde vivem. Todos os dados privados podem ser recolhidos”, disse Xiang.
Xiang diz que com essas informações em mãos "eles podem apanhar todos os membros da igreja para os ameaçar, intimidar e impedir de se reunir”.
"Em 9 de setembro de 2018", disse Xiang, "centenas de polícias invadiram as instalações da nossa igreja, destruíram-nas e colocaram sob custódia os nossos ministros, tomando posse de todas as propriedades da igreja e encerrando o espaço onde a igreja se reunia.”
“As igrejas na China estão a ser perseguidas como as primeiras igrejas em Roma”, disse Xiang, “Esta nova forma de culto está a emergir como talvez uma opção melhor no meio da atual perseguição”.
"Precisamos ser corajosos, mas ao mesmo tempo precisamos de ser inovadores. Precisamos de coragem, mas ao mesmo tempo precisamos realmente de sabedoria para enfrentar a perseguição, que é a situação de hoje em dia", disse à BP.
Além do PCC, os cristãos precisam estar atentos aos vizinhos, que podem denunciar as igrejas nas casas ao governo. “Com isso eles podem conseguir recompensas de até US$ 5.000”, disse Xiang.
“A nova experiência que estamos a implementar está a incentivar muitos irmãos e irmãs".
Prioridade
Apesar da severa perseguição sofrida pela igreja, Xiang disse que missões e plantação de igrejas continuam a ser prioridades da congregação.
Quando ele fugiu da China, parou por um mês no Canadá e plantou uma igreja para alcançar os membros da igreja que haviam se mudado para lá. “A igreja de Pequim enviou mais de 10 missionários transculturais para áreas minoritárias da China, Ásia Central e Ocidental e Oriente Médio”, disse. A igreja está a tentar construir um centro missionário em Israel.
"Mesmo durante a severa perseguição, ainda somos fiéis e corajosos em ser uma igreja missionária, ainda espalhamos o Evangelho nas nações e enviamos missionários para plantar igrejas nas nações", contou.
“O nosso testemunho é apenas um, entre as muitas igrejas Chinesas, que se torna encorajador para as igrejas e irmãos e irmãs globais", disse.
Xiang elogiou a Portas Abertas pelo seu trabalho para acabar com a perseguição Cristã globalmente, e lembrou uma mensagem que ele pregou de Apocalipse 3 sobre a carta à igreja na Filadélfia.
“O texto diz que Cristo, nosso Senhor, possui a chave de David ... que abrirá uma porta que ninguém pode fechar", disse Xiang. "Essa mensagem é poderosa, porque nos lembra que a chave da nossa igreja, a chave da nossa vida, a chave do nosso futuro não está ... nos assentos das pessoas - em qualquer autoridade - mas apenas ... na autoridade suprema, que são as mãos do nosso Cristo Jesus".
“A China precisa do apoio da igreja Cristã global”, disse Xiang.
"O clima recente para os Cristãos na China entrou em um inverno amargo, ou mesmo em uma era glacial. num inverno amargo, o que precisamos para sobreviver, acho que precisamos de calor", disse ele. "E acho que o calor virá do calor do corpo de Cristo, do corpo global de Cristo, da oração, do amor, do apoio do corpo global de Cristo, de nossos irmãos e irmãs globais".
- in Guiame




