15-04-11 - Explosão do crescimento da Igreja Evangélica no Brasil não é reavivamento
Recentemente, tem-se falado de reavivamento no Brasil, atendendo à explosão demográfica da população evangélica, que se estima em 57,4 milhões para este ano de 2011 de acordo com uma recente estimativa da Missão Internacional Servindo aos Pastores e Líderes (SEPAL).Hernandes Dias Lopes, apresentador do programa “Reavivamento e o Sepultamento” na TV Presbiteriana do Brasil, disse em entrevista ao The Christian Post, que não acredita que a explosão do crescimento da Igreja evangélica do Brasil seja sinal de um reavivamento espiritual.
“A explosão de crescimento numérico da Igreja brasileira tem muito a ver com um evangelho que eu chamaria de um evangelho híbrido, sincrético, com práticas completamente estranhas à Palavra de Deus,” afirmou ele.
E adicionou “Um evangelho voltado apenas para a questão da prosperidade, para a questão das curas, um evangelho focado e centrado no homem.”
Para ele, as pessoas estão à procura de “aquilo que funciona,” “aquilo que o povo gosta” e não à procura de “aquilo que glorifica a Deus.”
“Esse crescimento tem extensão mas não tem profundidade.”
Luis André Bruneto, missionário da SEPAL, anunciou em estudo realizado em 2010, que a projecção para a população evangélica chegará a 109,3 milhões em 2020, seguindo uma taxa de crescimento anual de 7,42%.
Apesar dessas estimativas, o pesquisador da SEPAL também não acredita que esteja a acontecer um reavivamento, caracterizado por profundas mudanças na sociedade.
Hernandes explicou que o reavivamento expressa-se pelo arrependimento do pecado, pela sede de santidade, pelo regresso às Escrituras, pela regresso à oração, à evangelização.”
“Quando a Igreja se volta para Deus não por aquilo que Deus dá, mas por aquilo que Deus é, é aí que a Igreja experimenta um reavivamento.”
Na opinião dele, a Igreja evangélica brasileira precisa de passar por uma reforma, voltando-se para as Escrituras, tendo “os mesmos valores e princípios que inspiraram a Reforma do século XVI, ou seja, só as Escrituras, só a graça, só Cristo, só a Deus a glória.”
Ele alertou que essa mudança começa pelos pastores, dizendo “o reavivamento começa nos púlpitos e não nos bancos ... Porque se os pastores forem inflamados pelo reavivamento espiritual eles serão então esses instrumentos de Deus para atear este fogo também nos crentes.”
A história da Igreja evangélica brasileira, segundo Johnny Torralbo Bernardo, apologista fundador do Instituto de Pesquisas Religiosas do Brasil (INPR) apresenta o surgimento da força evangélica nacional através das Igrejas pentecostais, com a Assembleia de Deus fundada por Daniel Berg e Gunnar Vingren, vindos dos EUA, nos primórdios do século XX.
“Foi a primeira onda do pentecostalismo brasileiro,” informou Bernardo ao The Christian Post.
Em seguida, o Brasil viria a ser tomado por uma onda de “neopentecostalismo,” com as principais denominações do país tais como a Igreja Internacional da Graça de Deus (com mais de 2.000 igrejas em todo o mundo sem informações do número de fiéis no país) e a Igreja Apostólica Renascer em Cristo (com cerca de 120.000 fiéis no país), Igreja Universal do reino de Deus e Igreja Mundial do Poder de Deus.
O apologista citou o método de “Igrejas em células” advindo da Igreja coreana Full Gospel Church, na Coreia do Sul que foi implantado no país. Assim de pouco menos de 20 membros hoje há Igrejas que contabilizam uma média de cinco a seis mil crentes que frequentam os cultos regularmente, no Brasil.




