06-03-2020 - China proíbe cristãos de realizar funerais religiosos

Os cristãos de toda a China estão proibidos de realizar funerais religiosos aos seus entes queridos falecidos, pois o Partido Comunista continua a apertar o cerco com a regulamentação da religião e das atividades religiosas.
A Bitter Winter, uma revista que documenta os direitos humanos e os abusos da liberdade religiosa na China, informou que as autoridades de todo o país estão a aplicar políticas que proíbem costumes e rituais religiosos a serem usados durante funerais.
Em dezembro, o governo do condado de Pingyang, na cidade de Wenzhou, na província oriental de Zhejiang, adotou o Regulamento sobre Arranjo Funeral Centralizado.
Sob as novas regras, “líderes religiosos não podem participar de funerais” e “não mais do que dez membros da família do falecido podem ler passagens da Bíblia ou de outros livros sagrados ou cantar hinos, mas em voz baixa”.
As novas regras visam "livrar-se de maus costumes funerários e estabelecer uma maneira científica, civilizada e económica de se fazer funerais".
Da mesma forma, um funcionário da vila da província central de Henan disse à Bitter Winter que o governo local convocou uma reunião para assistentes de trabalho religioso em abril, informando que todos os funerais religiosos são restritos.
Logo depois, as autoridades emitiram um documento, ordenando que os líderes religiosos deveriam ser "proibidos oportunamente de fazer uso da religião para intervir nos casamentos e funerais dos cidadãos ou em outras atividades nas suas vidas".
Em Wuhan, a polícia invadiu o funeral de um Cristão de uma igreja regulamentada pelo governo e prendeu a sua filha, que no momento estava a orar pela sua mãe. A filha só foi libertada depois que o falecido foi enterrado sem nenhuma cerimónia Cristã, dois dias depois.
Em abril passado, as autoridades interromperam um funeral Cristão de 11 pessoas na província de Henan. Os agentes comunistas acusaram as pessoas presentes na cerimónia de "esconder" as suas ações no campo e ameaçaram-nas com a prisão. A polícia registou as informações pessoais de contacto dos participantes e disse que eles poderiam ser investigados a qualquer momento.
"Quando o meu pai morreu, as autoridades da vila ameaçaram prender-nos, se não realizássemos um funeral secular. Não ousámos ir contra eles”, disse um morador da cidade de Gucheng, na cidade de Yuzhou, no condado de Henan, ao Bitter Winter.
“O Meu pai era crente há várias décadas. Somos perseguidos mesmo após a morte”, acrescentou.
As ações repressivas em funerais religiosos fazem parte da campanha do governo para "sinicizar" (adequar à ideologia) a religião ou uni-la à cultura Chinesa comunista.
Nos últimos anos, a China destruiu igrejas, queimou cruzes, restringiu a expressão religiosa on-line e tentou reescrever a Bíblia e os hinos para que a mensagem refletisse a ideologia do Partido Comunista.
Numa conferência de imprensa em janeiro, David Curry, CEO do grupo de vigilância de perseguição Portas Abertas (EUA), alertou que a "maior ameaça", na sua opinião, aos direitos humanos em todo o mundo é a China, que subiu da 27ª para 23ª posição do ranking no relatório para 2020.
- in Guiame




