24-04-11 - Como a Páscoa matou a minha fé no ateísmo
No início da semana passada, o humorista Ricky Gervais apresentou os seus argumentos a favor do ateísmo e porque ele achava que era melhor Cristão do que muitos Cristãos. Neste ensaio que se segue, o escritor Lee Strobel oferece a sua defesa da Páscoa.Foi a pior notícia que eu poderia receber como ateu: a minha mulher agnóstica decidiu tornar-se Cristã. Duas palavras dispararam da minha cabeça. A primeira foi um palavrão, a segunda foi "divórcio".
Eu pensei que ela se iria transformar numa santa farisaica. Mas ao longo dos meses seguintes, fiquei intrigado com as mudanças positivas no seu carácter e valores. Acabei por decidir levar o meu jornalismo e formação jurídica (eu era editor jurídico do jornal Chicago Tribune) e investigar sistematicamente se havia alguma credibilidade no Cristianismo.
Eu rapidamente decidi que a suposta ressurreição de Jesus era a chave. Qualquer um pode reclamar ser divino, mas se Jesus apoiava a sua afirmação com a Sua ressurreição dos mortos, então essa seria uma evidência muito boa de que Ele estaria a dizer a verdade.
Durante quase dois anos, eu explorei a minúcia dos dados históricos sobre se a Páscoa teria sido mito ou realidade. Não me limitei a aceitar o Novo Testamento como valor nominal; determinei-me a considerar apenas os factos que estavam bem suportadas historicamente. À medida que a minha investigação se desenrolava, o meu ateísmo começou a vergar.
Jesus teria sido realmente executado? Na minha opinião, a evidência é tão forte que até o historiador ateu Gerd Lüdemann disse que a Sua morte por crucificação era "indiscutível".
O túmulo de Jesus teriaficado vazio? O académico William Lane Craig salienta que a sua localização era conhecida por Cristãos e não Cristãos. Então, se não ficou vazio, teria sido impossível a um movimento que tinha por fundamento a ressurreição, ter-se alargado explosivamente na mesma cidade onde Jesus foi executado publicamente apenas escassas semanas antes.
Além disso, mesmo os adversários de Jesus admitiram implicitamente que o túmulo estava vazio, dizendo que o Seu corpo tinha sido roubado. Porém ninguém tinha motivo para levar o corpo, especialmente os discípulos. Eles não teriam estado dispostos a morrer brutalmente como mártires se soubessem que tudo aquilo era mentira.
Alguém voltou a ver Jesus vivo? Identifiquei pelo menos oito fontes antigas, tanto dentro como fora do Novo Testamento, que na minha opinião confirmam a convicção dos apóstolos de terem encontrado o Cristo ressurrecto. Repetidamente, essas fontes tornaram-se mais fortes quando tentei desacreditá-las.
Poderiam esses encontros ter sido alucinações? De modo algum, disseram-me especialistas. As alucinações ocorrem nos cérebros individuais, como os sonhos, no entanto, de acordo com a Bíblia, Jesus apareceu a grupos de pessoas em três ocasiões diferentes - incluindo 500 de uma só vez!
Teria sido aquilo algum outro tipo de visão, talvez motivada pelo sofrimento dos apóstolos com a execução do seu líder? Isso não explicaria a dramática conversão de Saulo, um adversário dos Cristãos, ou de Tiago, o anteriormente céptico meio-irmão de Jesus.
Ninguém estava preparado para uma visão, no entanto cada um viu Jesus ressuscitado e depois morreu a proclamar que Ele lhe havia aparecido. Além disso, se tivessem sido visões, o corpo ainda estaria no túmulo.
Teria sido a ressurreição simplesmente a reformulação da mitologia antiga, parecida com os contos de fantasia de Osíris ou Mithras? Se quiser ver um historiador rir às gargalhadas, apresente esse tipo de cultura pop absurda.
Uma a uma, as minhas objecções evaporaram-se. Eu li livros de cépticos, mas os seus contra-argumentos ruíram sob o peso dos dados históricos. Não é de admirar que os ateus decepcionem em debates académicos sobre a ressurreição.
No fim, depois de eu ter cuidadosamente investigado o assunto, cheguei a uma conclusão surpreendente: seria realmente preciso ter mais fé para manter o meu ateísmo do que para me tornar seguidor de Jesus.
E é por isso que agora estou a comemorar a minha 30ª Páscoa como Cristão. Não por causa do medo da morte, ou de uma necessidade de muleta psicológica, mas por causa dos factos.
Lee Strobel escreveu "Em Defesa da Páscoa: Jornalista Investiga a Evidência da Ressurreição"; o seu primeiro romance, "A ambição", sairá a 17 de Maio.




