01-06-2020 - Missionários falam sobre a China pós-pandemia: “A fome espiritual é notável”

Ainda a recuperar das consequências da pandemia do coronavírus, a China vive, segundo missionários, um despertar espiritual ainda maior.
No dia 31 de dezembro de 2019, na cidade mais populosa da China central, o Comité de Higiene e Saúde da cidade de Wuhan anunciou publicamente que havia registado 27 novos casos de um "tipo incomum de pneumonia". Já em 20 de janeiro de 2020, os hospitais de Wuhan estavam sobrecarregados com centenas de pacientes todos os dias, cada um mostrando sintomas do novo coronavírus (Covid-19).
Nesse mesmo dia, o professor Nanshan Zhong (um pneumologista do sul da China e a eventual face da luta da China contra o vírus) confirmou nos órgãos de comunicação social que o vírus poderia se espalhar de humano para humano e era altamente contagioso. Três dias depois, em 23 de janeiro, a cidade de Wuhan foi trancada. Até ao momento, a China registou oficialmente mais de 82.000 casos de coronavírus e quase 5.000 mortes relacionadas com o vírus (embora os especialistas acreditem que os números reais sejam muito maiores).
Agora o país está a abrir-se novamente, embora todos os edifícios de igrejas permaneçam fechados. Quase cinco meses desde que os primeiros casos foram relatados no final de dezembro, o que está a acontecer na China agora e o que se pode tirar de lição da reação da Igreja na China a essa experiência impactante?
A equipe da Missão Portas Abertas na China respondeu a algumas perguntas enviadas dos EUA, fornecendo uma visão detalhada da vida no país e da situação mais atualizada da Igreja chinesa.
Ao abordar o contexto espiritual da China na entrevista, os missionários que não tiveram os seus nomes revelados informaram que a fome espiritual dos Cristãos locais só tem aumentado.
“Os Cristãos que conseguem ligar-se online estão a fazer muito mais isso regularmente do que antes. Antes da pandemia, era bastante normal os Cristãos chineses permanecerem ligados uns aos outros e encorajarem-se espiritualmente nas redes sociais chinesas, e até ouvirem sermões e participarem de aulas bíblicas online”, explicou um dos missionários.
“No geral, durante o confinamento, crentes de muitas comunidades Cristãs de todo o país aderiram aos cultos online, ouviram / assistiram a sermões online, oraram e usaram a Palavra de Deus para encorajarem-se uns aos outros online em maior número do que o habitual. A fome e o crescimento espiritual são notáveis”, acrescentou.
Crescimento online
Quando questionados sobre a situação das igrejas, os missionários destacaram que mesmo com os cultos presenciais proibidos, isso só aumentou a frequência das reuniões online.
“As igrejas em todo o país pararam principalmente os cultos presenciais, mas muitas começaram a usar plataformas online para se ligarem, orarem e estudarem a Bíblia conjuntamente. Por mais triste que seja esta pandemia, a vida na igreja foi incentivada à medida que os crentes se reunem online regularmente para cuidar uns dos outros e servir as suas comunidades”, contou um deles.
“Algumas igrejas locais uniram-se para montar plataformas de oração. Eles incentivam os crentes a orarem com mais fervor pelas suas comunidades, cidades e governo locais. Um crente de Wuhan disse que os mais de 15 grupos existentes na sua igreja costumavam se reunir uma vez por semana, mas durante a pandemia, todos passaram a encontrar-se diariamente online!”, destacou.
“Os pregadores dessa igreja também estão a pregar online todos os dias. Eles lideram uma reunião de oração de duas horas por semana e agora oferecem uma variedade de aulas bíblicas online. De facto, todas as reuniões nessa igreja de Wuhan estão a ser realizadas com mais frequência agora. Este crente disse que eles se sentem mais próximos do que nunca!”, lembrou.
O missionário ainda explicou que nas regiões onde as restrições estão a diminuir, os Cristãos já estão a reunir-se em pequenos grupos para orar e adorar juntos.
“Nas regiões onde as restrições diminuíram, os cristãos começaram a reunir-se em pequenos grupos de quatro ou cinco pessoas para aproveitar a companhia uns dos outros, orar, cantar e ajudarem-se”, contou.
“Embora muitas igrejas tenham capacidade e motivação para realizar cultos e ter comunhão online, algumas igrejas pequenas optam por permanecer offline e manter um perfil discreto. É mais provável que se liguem aos crentes individualmente ou em pequenos grupos nas redes sociais e se encontrem com alguns irmãos em áreas públicas quando a situação permitir”, acrescentou.
“Ouvimos relatos sobre o governo Chinês ter tentado encerrar as reuniões online ou limitá-las.
Muitas igrejas, como esta em Wuhan, foram instruídas a deixar de realizar reuniões online várias vezes pelas autoridades locais. Mas, como ainda não se podem encontrar pessoalmente, e como as autoridades não têm os recursos agora para fazer isso, as reuniões continuam”, finalizou.
- in Gospel Prime
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