09-06-2020 - Ele tem o mundo inteiro nas Suas mãos?

Num esforço louvável para tentar animar um mundo miserável, o ator popular Tyler Perry pediu aos seus muitos amigos que cantassem a famosa música “He’s Got the Whole World in His Hands” (Ele tem o mundo inteiro nas Suas mãos), que ele depois publicou no YouTube.
Mas há um problema evidente aqui. Dizer que Deus tem o mundo inteiro nas Suas mãos colide com a percepção da realidade do mundo. É tocar violino enquanto Roma arde. Estamos a viver um pesadelo de caos, morte e sofrimento terrível, e essas pessoas estão a cantar letras de uma música que parece que acham que tudo está bem porque Deus está no controlo. É compreensível que um cético pensante diga que é muito claro que isso não é verdade.
Tomemos, por exemplo, a manchete recente "Terramoto atinge a Itália perto da área mais atingida pelo coronavírus". Onde está Deus nisso? Ele não pode parar os terramotos e ajudar os que sofrem? Um terramoto apenas contribui mais para o sofrimento. A Carolina do Sul (EUA) foi devastada pelo vírus, mas o seu sofrimento foi agravado quando foram atingidos por uma série de tornados assassinos. E essas tragédias contínuas são apenas a pequena ponta do iceberg do sofrimento humano. Como alguém em sã consciência pode cantar: "Ele tem o mundo inteiro nas Suas mãos"? Trata-se de uma pergunta legítima.
Como Cristãos, sentimos tremendo consolo ao pensar que Deus realmente tem o mundo inteiro nas Suas mãos. Sabemos que não há uma pulga que pule, um cachorro que ladre, um terramoto que ruja, um tornado, furacão ou praga que mate sem a vontade permissiva de Deus. Nada neste universo acontece sem que Deus permita que isso aconteça. Nem um eletrão percorre o núcleo de um único átomo sem Deus. Isso porque Ele criou, colocou em movimento e tem-no nas Suas mãos. E nesse sentido, Ele tem o mundo inteiro nas Suas mãos, e isso é extremamente consolador para os crentes.
Mas dar esse consolo aos ímpios - dar a impressão de que tudo está bem para os que ainda estão nos seus pecados - é prestar-lhes um péssimo serviço e trair a causa da nossa fé. É dar um placebo aos doentes terminais quando deveríamos dar-lhes a cura para a sua doença. Os não salvos nunca devem ser consolados com uma falsa esperança. Pelo contrário, eles precisam da cura do Evangelho.
A nossa verdadeira mensagem, de acordo com as Escrituras, é que Ele tem o mundo inteiro sob a Sua ira, e os factos frios do sofrimento humano e a nossa morte iminente são fortes evidências disso. Deus é sério com o pecado. E até que os nossos pecados sejam perdoados pela fé em Jesus, a Bíblia chama-nos de “filhos da ira” (Efésios 2: 3–5) e de “inimigos no entendimento pelas [nossas] obras más” (Colossenses 1:21).
Então, como podemos dizer coisas tão duras sem irritar os nossos ouvintes que já estão a sofrer? Há uma forma. É tendo um tom amoroso e gentil, e apelando para a consciência humana como Jesus fez. Que Deus nos ajude a fazê-lo.
- Ray Comfort
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