03-07-2020 - IGREJA PERSEGUIDA: “Eu perdoei à família Kim”, diz Cristão Norte-Coreano

O mundo está atento às notícias sobre o estado de saúde do atual líder da Coreia do Norte. Apesar da dificuldade em obter informações do país número um na Lista Mundial da Perseguição 2020, o assunto tem deixado irmãos e irmãs de diferentes nacionalidades preocupados com a igreja no território.
É difícil dizer o que realmente está a acontecer, já que o sistema comunista não permite a liberdade de imprensa. Porém, uma análise à semelhança com casos anteriores mostra a liderança do país em silêncio, coisa que nunca aconteceu quando as especulações estavam erradas.
Os Cristãos Norte-Coreanos que estão refugiados em países como China e Coreia do Sul estão a orar pela atual situação do país comunista. Não há facilidade em ter informações, já que as restrições aumentaram devido à presença da Covid-19 no território.
Muitos que conseguiram fugir da Coreia do Norte ainda convivem com um ressentimento em relação aos líderes atuais. Timóteo (nome fictício) é um seguidor de Jesus que vive em outra nação; ele reconhece que o assunto é difícil, mas garante que já perdoou aos perseguidores.
“Eu perdoei à família Kim. Mas a dor e o sofrimento que passei no passado permanecem na minha memória”, explica.
Os refugiados Norte-Coreanos oram pela segurança das famílias Cristãs e das igrejas subterrâneas, pelo fim da propagação da COVID-19 e para que exista um alívio em relação à perseguição aos Cristãos locais. Mas o pedido mais importante para eles é que Cristo seja anunciado por toda a Coreia do Norte.
“Com toda esta incerteza, clamo ao Senhor e à Sua misericórdia pelos 25 milhões de Norte-Coreanos. Também estou a orar pela liderança do país, para que se renda a Deus”, revela o Cristão.
Segundo Timóteo, um Cristão perseguido carrega grandes traumas e precisa de lutar sempre contra as lembranças do sofrimento.
“O reflexo das notícias sobre a brutalidade de repatriação, execução, opressão, prisão e fome na Coreia do Norte geralmente causa a frustração e a raiva nos fugitivos Norte-Coreanos. É uma reação emocional. E eu entendo completamente esse sentimento”, revela.
Porém, ele enfatiza que essas más experiências podem seguir o refugiado até mesmo quando ele estiver a viver outra realidade num país democrático. A resposta para isso é depositar todo o trauma aos pés de Cristo e deixar que Ele cure as feridas.
O Cristão acredita que o país necessita de reconciliação com Deus, e como consequência terá paz, estabilidade e sabedoria nas tomadas de decisão. Assim, o restante ficará sob a responsabilidade do Senhor.
“Provavelmente haverá mais prosperidade, democracia, segurança económica e liberdade de fé num futuro livre na Coreia do Norte, ‘pois é Deus quem efetua em vós tanto o querer quanto o efetuar, segundo a Sua boa vontade'”, finaliza Timóteo citando o versículo de Filipenses 2.13.
- in Portas Abertas
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