06-06-11 - Abébia do ateísmo
Outro ateu fala de Deus. Parece que os ateus passam mais tempo a blasfemar de "Deus" do que alguns Cristãos a adorá-Lo. Desta vez um ateu até escreveu uma "bíblia". Usamos um "b" minúsculo e entre aspas, porque o próprio termo "Bíblia" implica um significado distinto para aqueles de nós que crêem no Deus verdadeiro.Trata-se de uma ironia da forma mais dramática.
Ninguém tem que ensinar as pessoas a crer em Deus. É como se toda criança nascesse com o pressuposto de que Deus está sentado na sua cadeira de balanço premindo botões que fazem o mundo girar. É inclinação natural do homem estar convencido de que existe um tipo de poder transcendental maior. Apesar de alguns ateus poderem negar essa inclinação interior pensamos que seria muito difícil, senão impossível, encontrar uma criança ateia.
É sensato crer num Deus que define as leis éticas e naturais que regem o universo.
Os ateus podem desconsiderar Deus, mas crêem no bem e no mal como todos os demais, e agora até têm o seu próprio “Cânone” para o provar.
Será possível haver sabedoria transcendental no ateu, cujo sentido de verdade mutável é - na melhor das hipóteses - subjectiva e circunstancial?
As 600 páginas do "Good Book" (Livro Bom) estão repletas do tipo de "sabedoria" transcendental que confirma um certo equilíbrio moral existente na consciência do homem, independentemente da sua língua, era de existência, lugar de residência ou até mesmo religião (ou falta dela ). Grayling mina o cozinhado de palavras dos conselhos mais famosos da história do seu redil irreligioso - conselhos que ele acredita, é claro, que são certos e bons.
A leitura da Bíblia Secular só confirma que os melhores e mais brilhantes entre nós, de diferentes séculos e culturas diferentes, de alguma forma distribuídos aleatoriamente, têm um sentido colectivo de comportamento comum que acaba por tornar o mundo melhor. É claro, existem aqueles que violam esse sentido comum, mas só servem para ampliar a sua existência.
Teólogos e filósofos Cristãos têm defendido que a adesão da humanidade aos princípios considerados universalmente morais é uma das evidências mais infalíveis da existência de Deus. Foi, na verdade, esta "lei moral", que venceu outro dos ateus mais famosos da Grã-Bretanha, C. S. Lewis.
Lewis finalmente reconheceu o teísmo, converteu-se ao Cristianismo e tornou-se num dos principais apologistas da história Cristã. Isto deveu-se em grande medida à adesão universal da humanidade a certos comportamentos julgados como bons ou maus, como sábios ou loucos. Lewis diz ter percorrido o globo e passado em revista a sua história e civilizações antigas para tentar encontrar um grupo periférico que tivesse aderido a um conjunto diferente de leis morais. Ele confessa o seu fracasso colocando uma questão aos seus leitores, "Imagina uma civilização onde as pessoas fossem admirados por fugirem numa batalha, ou onde um homem se sentisse orgulhoso por ter traído todas as pessoas que foram extremamente boas com ele? Consegue também tentar imaginar um país onde dois mais dois sejam cinco?"
A conclusão de Lewis foi simples.
A universalidade da moral (ou sabedoria) era prova de que um Deus transcendental havia determinado quais os comportamentos que seriam considerados bons e quais os comportamentos que seriam considerados maus.
Quando se observa a sabedoria replicada que reveste os anais da história, deve-se questionar porque será que todo o mundo parece pensar o mesmo sobre certo e errado.
Os Cristãos crêem que foi Deus que definiu estes termos.
Talvez faça perfeito sentido que a mais elevada marca de rejuvenescimento do ateísmo seja a produção de um novo texto religioso, secular.
Acontece que o conteúdo da Bíblia "secular" é, portanto, apenas um outro veículo para libertar as verdades transcendentais tecidas por Deus no ADN da humanidade muito à semelhança do uso do rótulo "Bíblia" como lembrete do vocabulário a que ele está preso.
Como muitos humanistas seculares, o autor negligencia curiosamente canonizar os ateus mais famosos da história. Ele não parece inclinado a sentar-se aos pés de personagens como Mao Tse Tung ou Pol Pot, homens que viveram o seu secularismo nos pináculos da justiça própria.
Pelo contrário, ele abraça o lado mais suave do secularismo, como se isso fosse tudo o que existe.
Felizmente, para os milhões de Cristãos ao redor do mundo, Grayling tem sido um ateu que tem de algum modo esquecido que, essencialmente, o reconhecimento de uma lei moral é o equivalente a abrir a baliza no jogo disputado por teístas e ateus.
O Professor Grayling merece a gratidão sincera dos teístas do globo. Como se costuma dizer, a imitação é a mais elevada forma de lisonja.




