13-06-11 - Roupas infantojuvenis e sexualização das crianças: pais precisam estar atentos
Segundo a “teoria da objectivação”, as mulheres de culturas ocidentais são com frequência retratadas e tratadas como objectos do olhar masculino. O principal efeito desse fenómeno é a auto-objectização, que leva meninas e mulheres a verem-se como objectos que serão avaliados de acordo com padrões de beleza muito restritivos. Os efeitos negativos desse fenómeno incluem a insatisfação com sua aparência, depressão e baixa auto-estima. Um estudo, publicado no periódico Sex Roles, procurou examinar o papel da roupa feminina destinada ao público infantojuvenil como uma possível influência social que pode contribuir para a auto-objectização de pré-adolescentes.
O estudo examinou a frequência e a natureza da sexualização das roupas disponíveis para as jovens – crianças, não adolescentes – em sites de 15 lojas de departamentos mais populares dos EUA. As pesquisadoras observaram se a sexualização das roupas revelava ou enfatizava partes do corpo, se a roupa tinha características associadas à sexualidade e/ou se a roupa fazia associação à sensualidade de forma implícita. Também foi observado se os itens da roupa traziam características infantis, como padrões de estampa ou enfeites.
Entre todas as lojas, foram seleccionados 5,6 mil itens. Destes, 69% tinham apenas características infantis. Do restante, 4% tinham apenas características sexuais, 25% apresentavam tanto características sexuais como infantis e 4% não tinham nenhuma das características estudadas. Em resumo, cerca de 30% das roupas apresentavam algum apelo sexual.
A sexualização foi mais frequente nos itens que enfatizavam alguma parte do corpo, como blusas e vestidos com um corte de forma a simular seios ou calças com bolsos decorados – que atraem atenção ao traseiro das meninas. Cada loja também recebeu uma classificação de acordo com o grau de sexualização identificado, variando entre “tween” (ou pré-adolescente), mais propensos a ter roupas mais sexualizadas, ou “lojas de crianças”, com roupas de acordo com a idade.
Ambiguidade confunde os pais
Segundo a autora do estudo, Sarah Murnen, da Faculdade de Kenyon, nos EUA, uma roupa ao conter ao mesmo tempo características sensuais e infantis faz com que os pais fiquem confusos. “Eles podem ser facilmente persuadidos a comprar uma minissaia com estampa de leopardo se ela for rosa-pink, por exemplo”, diz. “Claramente a sensualidade é ainda visível sob os arco-íris ou cores tie-die”.
Para Sarah, seguir este modelo tão precocemente leva a sérias implicações. “Estas meninas estão a enfrentar a questão da identidade sexual muito cedo. Ao se vestirem desta maneira, elas contribuem e perpetuam a ideia da mulher como objecto”, conclui.




