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25-09-11 - Estudo comprova que ler a Bíblia influencia comportamentos

leitura_da_biblia_.jpg     Coordenado pelo pesquisador Aaron Franzen, novo estudo da Universidade norte-americana Baylor revela que a leitura frequente da Bíblia gera um apoio maior a questões que vão desde a compatibilidade entre ciência e religião até um tratamento mais humano dos criminosos.

     O estudo, um dos primeiros a analisar as consequências sociais da leitura das Escrituras, revela que os efeitos desse hábito devocional parecem transcender as fronteiras comummente estabelecidas entre conservadores e liberais. Nessa pesquisa, menos de 25% dos entrevistados disseram ler as Escrituras uma vez por semana ou mais.

     Mesmo com o aumento da oposição ao casamento homossexual e à legalização do aborto justificados pela leitura constante da Bíblia, as pessoas entrevistadas dizem que é igualmente importante lutar por uma maior justiça social e económica. Não foram apenas Cristãos liberais que afirmaram ter uma mudança de atitude.

Em muitos casos, pessoas que acreditam que a Bíblia é literalmente verdadeira, mas raramente a lêem, discordam da visão dos crentes que afirmam ler o texto sagrado todos os dias.

     Para Franzen, o seu estudo mostra que “os literalistas tendem a ler a Escritura com mais frequência, mas ao longo do tempo a leitura apenas reforça o seu conservadorismo,” desafiando estereótipos.

     Franzen especula porque razão poucas pesquisas são feitas sobre os efeitos da leitura das Escrituras: “as constantes referências à Bíblia reforçam a ideia de que todos sabemos o que ela diz e, consequentemente, a leitura torna-se simplesmente num hábito que acaba, por vezes, por ser uma actividade sem reflexão”.

     Outra pesquisa sobre religião da Baylor (que entrevistou crentes em 2007) reforça a opinião de Franzen. No estudo, a frequência de leitura da Bíblia foi apontada como uma das mais poderosas influências na formação de opinião sobre questões morais e políticas.


Outros dados relevantes

     A probabilidade de os Cristãos dizerem que é importante procurar activamente a justiça social e económica para ser uma boa pessoa aumentou 39% entre os que fazem a leitura da Bíblia ao menos uma vez por ano comparado com os que a lêem mais de uma vez por mês.

     Entre os cristãos entrevistados, 27% são mais propensos a dizer que é importante consumir ou usar menos produtos e ser uma pessoa boa ao tornarem-se leitores mais frequentes da Bíblia.
Ler a Bíblia com maior frequência também está ligado a melhores atitudes em relação à ciência. Os entrevistados mostraram que, entre os que mais lêem a Bíblia, têm 22% menos probabilidade de ver a religião e a ciência como incompatíveis.

     As questões pareciam importar mais do que a divisão conservador-liberal. No caso de outro debate sobre a política pública e a união de pessoas do mesmo sexo, quase metade dos entrevistados que lêem a Bíblia menos de uma vez por ano disse que homossexuais podem casar-se, enquanto que apenas 6% das pessoas que lêem a Bíblia várias vezes por semana aprovam essas uniões.

     Os leitores mais assíduos da Bíblia também mostraram-se mais propensos a opor-se ao aborto legalizado. Além disso, pedem punição mais severa para criminosos e o aumento da autoridade do governo para combater o terrorismo.


Sem surpresas

     Os resultados podem ser surpreendentes para os que tendem a separar os Cristãos apenas em blocos de direita e esquerda ou liberais e conservadores, que andam em sintonia com as políticas mais conservadoras. Mas os resultados são consistentes com pesquisas anteriores.

     Num artigo de 1998, publicado pelo Journal for the Scientific Study of Religion, os sociólogos Mark Regnerus, Christian Smith e David Sikkink descobriram que os dados da Pesquisa Sobre Identidade Religiosa e Influência (de 1996) sugeriram que, ao contrário da “sabedoria convencional”, os crentes conservadores estavam entre os mais generosos nas doações para ajudar os pobres.

     James Bielo, professor de antropologia da Miami University, disse que os resultados da pesquisa de Franzen não são surpreendentes. Ele afirma: “Quando as pessoas lêem a Bíblia, muitas vezes no contexto de outras influências, como uma igreja local, na companhia do seu cônjuge ou filhos, ou seguindo um guia de estudo, frequentemente percebem uma nova posição ou encontram alguma mudança no que acreditam”.

     No seu trabalho etnográfico com os crentes, Bielo descobriu que a maioria acredita que religião e ciência são compatíveis. “Em última análise, eles diriam que toda verdade é a verdade de Deus”, disse ele.

     Possivelmente, a questão principal não é se os cristãos são influenciados pela leitura da Bíblia, mas quantos lêem a Bíblia o suficiente para que ela faça alguma diferença. Como C. S. Lewis afirmou certa vez: “A questão principal não é o quanto a Bíblia é lida, mas como ela é entendida”.

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