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22-07-2021 - Saiba como missionários fizeram chegar 1 milhão de Bíblias à China, há 40 anos

O Projeto Pérola, que completa 40 anos no dia 18 de junho, contrabandeou um milhão de Bíblias para a China. (Foto: Portas Abertas)

O Projeto Pérola, que completou 40 anos no dia 18 de junho, contrabandeou um milhão de Bíblias para a China. (Foto: Portas Abertas)

 

     Em plena Revolução Cultural na China, o fundador do ministério Portas Abertas, conhecido como Irmão André, e vários parceiros, ouviram falar sobre os Cristãos chineses que resistiam à forte perseguição do governo. 

     Em viagem ao país surpreenderam-se com uma imensa rede de milhões de Cristãos que eles descreveram como “fortes, fundamentados em princípios, ousados e corajosos”, apesar de perseguidos, contou o Irmão André, que é autor do livro “O Contrabandista de Deus — desafiando os limites da fé”.

 

Planeamento do Projeto Pérola

     Mãe Kwang, uma crente chinesa que já tinha passado três vezes pela prisão, e mesmo assim continuava a percorrer o sul do país dando testemunho da Palavra de Deus, fez o pedido inicial de 30 mil Bíblias.

     E assim, o que ficou conhecido como “Projeto Pérola” começou a ser planeado. No dia 18 de junho de 1981, exatamente 1 milhão de Bíblias foram entregues na praia de Shantou, cidade costeira no sul da China, para os Cristãos locais, sob a promessa de que fariam a Palavra de Deus chegar a todos os cantos do país.

     O “Projeto Pérola” levou esse nome porque as Escrituras são “como uma pérola de grande valor”, como disse o Senhor Jesus Cristo em Mateus 13.45-46. E como o mercador, os cristãos chineses estavam dispostos a arriscar tudo pela “pérola” que é a Palavra de Deus.

 

Aguardando o tesouro

     Naquela noite, mais de 2 mil Cristãos chineses aguardavam a chegada das Bíblias à praia, uns para escondê-las, outros para distribuí-las imediatamente. Essa operação exigiu considerável esforço e organização. 

     Os participantes tiveram de ser encontrados e informados dos detalhes pessoalmente. Foi um milagre reunir tantas pessoas sem que as autoridades percebessem.

     Um rebocador de 30 metros chamado Michael moveu-se pesadamente a uma velocidade de 5 quilómetros por hora. Ele rebocou a barcaça Gabriella (de 40 metros de comprimento), carregada com 232 pacotes à prova de água, de uma tonelada, contendo ao todo um milhão de Bíblias em chinês. 

     Os 20 membros da tripulação a bordo do Michael eram dos seguintes países: Filipinas, Austrália, Nova Zelândia, Holanda, Inglaterra, Canadá e Estados Unidos.

 

Projeto Pérola

 

     Um deles foi Terry Madison, que na foto está agachado do lado direito, de barba. “Antes da viagem, o meu trabalho era preparar todo o material para arrecadar os milhões de dólares que precisávamos para a missão — sem poder dizer a ninguém sobre o que estávamos a fazer. Isso foi um desafio”, revelou.

     Ele explica que foi complicado levantar tanto dinheiro sem dar nenhuma explicação às pessoas sobre o que seria feito com ele. “Mas os nossos apoiantes contribuíram e ainda enviaram ofertas para que isso acontecesse”, lembrou. 

     Segundo o Cristão, participar daquela grande aventura e também do segredo que precisava ser guardado, por questões de segurança, foi um privilégio.

 

Um contrabando que mudou a vida de cristãos chineses

     Os pacotes flutuantes que continham as Escrituras foram rebocados para a praia por pequenos barcos de borracha. A operação, idealizada pelo Irmão André, mudou a vida de muitos Cristãos na China.

     “À medida que nos aproximávamos cada vez mais, percebemos que isso era realmente sério, poderíamos morrer, ser presos ou nos perder no mar. Tenho a certeza de que todos nós tínhamos os nossos medos e dúvidas sobre o que aconteceria quando chegássemos lá”, revelou Terry que também foi o cozinheiro da tripulação.

     Vale a pena lembrar que naquela época, a Igreja na China estava a passar por um reavivamento, depois de quase ter sido banida durante a Revolução Cultural. Com a morte de Mao Zedong, em 1976, a situação melhorou um pouco, porém havia escassez de Bíblias.

     A Igreja ainda dava sinais de vida e os Cristãos começaram a sair das "catacumbas". Mas a religião continuava a ser vista como o ópio do povo e tinha de ser combatida. Os cristãos ainda precisavam de ser prudentes e não podiam reunir-se livremente em qualquer lugar. 

 

Contrabando bem sucedido

     A escuridão era total e o mar estava calmo. Essa era a condição ideal para o desembarque dos 232 fardos de Bíblias, que foram lançados ao mar e três barcos menores puxaram rumo à praia.

     “A minha lembrança favorita da viagem foi a noite da entrega. Os Cristãos chineses nadavam até a água chegar à altura do peito para receber os pacotes”, recordou. “Gostaríamos muito de estar na praia para poder abraçá-los ou falar com eles”, continuou.

     “O Senhor estava a supervisionar os bastidores e apesar de alguns momentos realmente difíceis, o Senhor estava ali para tudo”, disse Terry. 

     Segundo Portas Abertas, a realização do Projeto Pérola só foi possível porque Cristãos de vários países mobilizaram-se para levar a Palavra de Deus aos Cristãos chineses. 

- in Christian Headlines

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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