15-12-11 - Depois de “avivamento”, governo iraniano declara a guerra aos Cristãos

Além da prisão de pastores, templos são destruídos e Bíblias confiscadas.
As autoridades iranianas confiscam milhares de Bíblias, destruíram igrejas, e fecham sites como parte de uma ofensiva total contra o Cristianismo.
Segundo a agência Cristã iraniana Mohabat News, um assessor do comité de assuntos sociais do Parlamento do Irão confirmou que nos últimos meses foram confiscadas mais de 6.500 Bíblias, especialmente nas cidades de Zanjan e Abhar, Estado de Zanjan.
A agência oficial de notícias Mehr, justifica a acção dizendo que “os missionários Cristãos têm feito uma campanha milionária, com publicidade enganosa para que a opinião pública e a juventude (do Irão) se afaste dos ensinamentos do Islão“.
O aiatolá Hadi Jahangosha também expressou a sua preocupação com a "expansão do Cristianismo entre os jovens”, culpando a disponibilidade de literatura, programas Cristãos de televisão por satélite e meios eletrónicos. “É responsabilidade de todos os cidadãos do Irão que façam algo sobre isso e cumpram o seu papel na difusão do Islão puro, lutando contra as culturas falsas e distorcidas do Ocidente”.
Um representante do governo disse que as Bíblias confiscadas “foram produzidas com uma melhor qualidade de papel, em tamanho de livro de bolso.” E acrescentou que “o importante neste assunto é que a polícia, os juízes e os líderes religiosos devem estar cientes que os Cristãos estão a fortalecer-se para enfrentar o Islão, caso contrário, qual o sentido de terem produzido este grande número de Bíblias?”
A confiscação das Bíblias revela uma crescente pressão sobre as igrejas Cristãs, como ocorreu recentemente na cidade de Kerman, onde as autoridades locais destruíram uma das principais igrejas da cidade. Existe a preocupação de que os prédios das igrejas Cristãs em outras cidades também possam ser atacados e destruídos em breve.
Os lideres das igrejas Cristãs iranianas denunciam que o governo de Mahmoud Ahmadinejad está preocupado pelos relatos de que muitos muçulmanos estão sa converter-se ao Cristianismo nos últimos anos. Estima-se que o país já tem pelo menos 100.000 cristãos, em comparação com aproximadamente 500 cristãos conhecidos em 1979, segundo estimativas dos próprios representantes dos grupos Cristãos.
A recente prisão do pastor Yousef Nadarkhani chamou a atenção do mundo todo para a falta de liberdade religiosa no Irão e a perseguição aos pastores locais. O caso de Yousef ficou conhecido e, depois de múltiplos apelos, ele foi liberto da pena de morte. Contudo, outros líderes têm sido presos e executados sem que o assunto seja muito divulgado para evitar reacções internacionais parecidas.
O regime do Irão também iniciou uma ofensiva aos sites em língua persa que falam sobre a fé Cristã. Entre os sites mais afectados pelos ataques está a agência Mohabat News , que serve os Cristãos de língua persa do Irão e de países vizinhos. O ataques sobrecarregaram os servidores, durante três dias, tirando do ar vários sites. Esse tipo de ataque cibernético não é novidade, mas tem-se tornado mais comum recentemente.
Nada é feito em segredo. O Ministério da Segurança do Irão vangloria-se de ter eliminado uma rede de Internet que, segundo as autoridades, “fazia propaganda antirreligiosa no ciberespaço”, referindo-se concretamente a sites Cristãos. O Ministério informou ainda que foram detidas várias pessoas por sua suposta implicação nesta rede subterrânea; e que o governo estabeleceu um comité especial para regular o acesso à Internet e monitorizar os utilizadores.