Servindo como pastor da Igreja do Calvário durante 18 anos, Dobson viu a sua congregação chegar a mais de 5.000 pessoas aos domingos. Naquela época, Dobson influenciou toda uma geração de líderes. Foi ele, por exemplo, quem apoiou Rob Bell e o ajudou a iniciar a igreja Mars Hill de Grand Rapids. Ele diz que estava acostumado a olhar para si mesmo como um homem cheio de lições, provérbios e, acima de tudo, respostas.
Uma espécie de “ícone” entre alguns círculos religiosos, tudo mudou quando Dobson foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), também conhecida como doença de Lou Gehrig. Ao lhe ter sido diagnosticada esta doença, em 2001, os médicos deram-lhe de 3 a 5 anos de vida.
“Eu sou feliz por estar a falar consigo neste momento”, brincou Dobson, cuja voz deteriorada pouco lembra os seus dias de pregador. Nma entrevista à CNN, o pastor falou devagar, mas mantendo a mesma confiança e autoridade de sempre.
Após a sua aposentadoria, em 2006, as multidões sumiram da sua vida. “Eu passei de 100 quilómetros à hora, a zero de um momento para outro”, explica Dobson. ”Isso foi um choque para o meu sistema.”
Ele afirma que as respostas desapareceram junto com as multidões. “Eu sei que soa um pouco sentimental… mas a verdade é que quanto mais eu vivo, menos respostas eu tenho”.
Autor de 12 livros e atualmente produzindo várias curtas-metragens, Dobson é um homem cheio de lições sobre fé. Após ter sido diagnosticado com essa doença degenerativa e sem cura conhecida, sentiu-se totalmente inseguro. Às vezes, em alguns dias, ele diz que nem queria sair da cama. Depois de anos de intenso estudo da Bíblia, o pastor aposentado ficou surpreso como reagiu à notícia da sua própria mortalidade.
“Eu pensei que se eu soubesse que ia morrer, teria realmente lido a Bíblia e teria realmente orado como se deve”, explica Dobson. ”Mas durante anos o oposto era verdade. Eu mal tinha tempo de ler a Bíblia e tinha grande dificuldade de orar. Fica-se tão sobrecarregado com outros compromissos que se perde a perspectiva correta”.
Após recuperar essa perspectiva, a sua pregação ocorre a um nível mais pessoal. Ele agora encontra-se com os fiéis um a um. Senta-se com eles em suas casas ou escritórios e oferece toda a ajuda que pode. ”A maioria das pessoas que me procuram têm ELA e, basicamente, eu apenas as escuto”, explica.
Sair de 5.000 fiéis por domingo para atender um de cada vez gerou uma grande mudança em Dobson, forçando-o a reavaliar o seu trabalho como pastor. ”Eu estou tentando aprender que o um-a-um é tão importante quanto pregar a multidões”, disse ele.
Hoje ele diz que o seu ministério lembra-lhe Adão e Eva com a responsabilidade dada por Deus para cuidar do Jardim do Éden. Durante anos, o jardim de Dobson era Igreja do Calvário, com os casamentos e os cultos de domingo.
Em 2007, ele escreveu o livro “Orações e promessas quando estamos diante de uma doença fatal.” Daniel Dobson, seu filho, está a ajudá-lo a transformar as histórias do livro em vídeos.
Steve Carr, diretor-executivo de uma empresa de produções é crente e entendeu o desafio. Cinco desses pequenos filmes escritos por Dobson já foram lançados por Carr e estão disponíveis no mercado. Existem planos para mais dois.
Embora os vídeos possuam temas variados, desde perda até perdão, passando por cura e crescimento espiritual, todos abordam as lições aprendidas por Dobson na sua batalha com a ELA. “Meu Jardim”, o título mais recente da série, mostra como Ed lidou com o fim de sua carreira de pregador.
“Eu não sou mais um pregador”, diz o combalido Dobson em frente à câmera. ”Hoje, diria que eu sou apenas um seguidor de Jesus. Ponto Final”. Aos 63 anos, para ele essa é a lição que os pastores mais precisam aprender hoje em dia.