27-01-13 - Dinheiro não é garantia de felicidade

Já não é segredo que pessoas ricas não são necessariamente felizes e, pelo visto, o mesmo princípio vale para nações: uma pesquisa realizada pela empresa Gallup colocou sete países em desenvolvimento da América Latina entre os mais “felizes” do mundo.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores da Gallup entrevistaram cerca de mil pessoas de cada um dos 148 países participantes. A pesquisa foi realizada por telefone, e o entrevistado tinha de responder sobre experiências que vivenciou no dia anterior – tal como “sentir-se respeitado”, “sorrir bastante”, “aprender ou realizar algo interessante” ou “descansar bem”.
Os paraguaios e panamenhos foram os que mais responderam “sim” às questões (85%); já os brasileiros responderam “sim” em média 72%. No topo do ranking também estão Venezuela e El Salvador, seguidos por Trinidade e Tobago, Tailândia, Guatemala, Filipinas, Equador e Costa Rica – ou seja, nenhum país com uma economia especialmente robusta (nações mais “ricas”, como Estados Unidos, Inglaterra e França, ficaram mais no meio).
De acordo com informações divulgadas pela Associated Press, alguns latino-americanos disseram que a pesquisa tocou num aspecto fundamental da cultura dos seus países: o hábito de focar em coisas boas, como amigos, família e religião, a despeito das dificuldades da vida diária.
Entre as nações consideradas menos “felizes” estão aquelas em situação de guerra, como Iraque e Afeganistão, ou que passam por instabilidade política ou étnica, como Sérvia, Bielorússia e Azerbaijão.
No “fundo” da pesquisa está Singapura, com apenas 46% de respostas positivas – mesmo com a sua economia PIB per capita próspera e impressionante. “Nós trabalhamos como condenados e somos pagos com uma ninharia”, desabafa o empresário Richard Low, que vive em Singapura. “Quase não há tempo para feriados ou apenas para relaxar porque estamos sempre a pensar à frente: quando é a próxima reunião ou termina o próximo prazo. Aqui quase não há um equilíbrio entre vida e trabalho”.
Houve quem considerasse a pesquisa imprecisa, em parte porque muita gente pode ter respondido positivamente para passar uma imagem boa, mesmo que isso não refletisse a realidade. Além disso, muitas residências não têm telefone fixo, seja em favor do telemóvel ou por falta de recursos mesmo (o que deixaria de fora pessoas em condições de vida mais precárias).
Alguns críticos consideram, ainda, que a pesquisa não mediu a “felicidade” das nações, mas sim a tendência cultural de cada uma em relação à expressão de sentimentos – positivos ou negativos. Para Jon Clifton, da Gallup, contudo, os resultados não devem ser subestimados. “Essas expressões são uma realidade, e é exatamente isso o que estamos a tentar quantificar”, explica. “Eu acredito que há emoções positivas maiores naqueles países [do topo do ranking]“.





