28-01-13 - Cristãos da China estão a usar a Internet para a evangelização

Os Cristãos chineses estão a comunicar a sua fé abertamente no Sina Weibo, uma rede social semelhante ao Twitter, que é controlada pelo governo da China. Muitos estão a começar a desafiar a censura e falam sobre a perseguição religiosa.
Recentemente, uma banda Cristã se apresentou em um programa de talentos da TV chinesa, o “Chinese Dream”, vários Cristãos usaram as redes sociais para pedir votos para a banda. De acordo com os media chineses, em poucos dias, milhares de votos dessa campanha ajudaram a manter o grupo entre os líderes por sete semanas.
O governo chinês controla a internet do país e proíbe o acesso a redes sociais ocidentais como o Facebook e o Twitter. No lugar delas existem os weibos (microblogs). Desde que foi criado, em 2009, a empresa líder do segmento, Sina Weibo , já atraiu mais de 400 milhões de utilizadores, e esse número está a aumentar. O que dificulta a monitorização de todas as mensagens publicadas todos os dias.
Segundo o Centro de Informação sobre a Internet da China, cerca de 40% da população do país tem acesso à Internet. Para efeitos de comparação, há mais utilizadores dos microblogs em solo chinês que as populações de vários países ocidentais somados. O facto de os chineses Cristãos começarem a comunicar a sua fé no weibo é digno de nota e sabe-se que essas mensagens estão a atingir um grande público.
De acordo com um site Cristão da China, um dos principais blogueiros da fé é Shiy Pan, um bilionário do ramo imobiliário que frequentemente partilha “orações aos domingos” com os seus mais de seis milhões de seguidores.
Para as igrejas Cristãs, a Internet tornou-se na nova fronteira do movimento de expansão da fé Cristã na China. Mas não é apenas para evangelização. Os cristãos daquele país estão a fazer campanhas de oração e até mesmo a discutir a falta de liberdade religiosa, um assunto proibido.
Curiosamente, a limitação de publicação dos weibo são os mesmos 140 caracteres que os ocidentais. Mas por causa da peculiaridade da línguas chinesa, 140 caracteres são equivalentes a 70 ou 80 palavras em português. Isso é suficiente para iniciar um debate ou dar um breve testemunho. Eles também podem anexar fotos e vídeos. Um prova dessa ousadia crescente entre a comunidade Cristã chinesa surgiu em agosto do ano passado, quando foi publicada uma foto mostrando um jovem a segurar um cartaz com a mensagem do Evangelho numa praça pública. Apesar de o governo não permitir isso, a imagem foi repassada milhares de vezes pelos utilizadores. Como resultado, surgiram de imediato outras do género.
Uma foto de uma menina a segurar um cartaz amarelo com uma cruz e a frase “Creia em Jesus e receba a vida eterna” também fez grade sucesso. Ela estava numa praça pública em Shenzhen, enquanto os seus pais comunicavam o Evangelho aos transeuntes. De acordo com o jornal Gospel Times, 20 pessoas aceitaram entregar as suas vidas a Jesus naquele dia. O pai da menina, posteriormente agradeceu à comunidade Cristã online para encorajamento, dizendo: “[Vocês] deram-me muita força. Que o Evangelho se fortaleça na China e salve este país e estas pessoas do pecado. Que Deus receba todo o louvor e glória”.
De acordo com agências Cristãs que trabalham na China, o país tem apenas 14 milhões de crentes ‘registados’ (incluindo católicos e protestantes), cujas igrejas estão sob o controlo do Estado oficialmente comunista e ateu. No entanto, calcula-se que quase cinco vezes esse número são de Cristãos não registados, e, portanto, ilegais, que se reúnem em igrejas domésticas.
O governo chinês conhece bem o poder dos media sociais e sabe do papel de destaque que eles tiveram durante a chamada “Primavera Árabe”, que mudou a história de várias nações. Talvez por isso, optou por uma censura seletiva. Segundo o site Cristão Greatfire.org, as autoridades já bloquearam 1.700 termos de pesquisa no weibo, incluindo expressões religiosas, como “Dalai Lama” e “Falun Gong” (uma seita oriental). Mas é impossível acompanhar todas as discussões. O grupo religioso Fórum 18, com sede na Noruega, revela, inclusive, que assuntos como a prisão do pastor iraniano Yousef Nadarkhani, foram extensamente comentados.
Segundo o jornal britânico Daily Telegraph, metade dos utilizadores da Internet da China têm menos de 25 anos e passam cerca de 16,5 horas online por semana. A rede também seria um “substituto” dos irmãos e irmãs que lhes é negado pela política chinesa de que cada família só pode ter um filho.
Outro aspeto destacado pelo Forum 18 são iniciativas como a de Martin Johnson, um ativista que lançou o seu próprio site de microblog chamado Freeweibo.com, que não se submete à censura do governo, por estar hospedado fora de solo chinês. Apesar das autoridades se esforçarem por bloquear o acesso, cada vez mais utilizadores têm usado atalhos tecnológicos para usarem ligações de Internet que podem ser reencaminhadas internacionalmente.
Segundo relatos dos EUA, a China agora tem 63,5 milhões de utilizadores do Facebook e mais de 35 milhões no Twitter, apesar de serem proibidos pelo governo. Contudo, o Fórum 18 acredita que os weibo poderão ajudar a “promover a liberdade religiosa na China” e mudar a sua realidade espiritual num curto espaço de tempo.




