19-03-13 - Muçulmanos ganham território na Europa

Por força da lei, o exterior da antiga igreja luterana Kapernaumkirche continua igual. Mas por dentro em breve o espaço abrigará a mesquita do Centro Islâmico Al-Nour. Foram gastos um milhão de euros na reforma do templo, que exemplifica uma tendência cada vez mais comum na Europa.
A associação Al-Nour, fundada em 1993, reúne a maior parte dos muçulmanos que moram em Hamburgo, Alemanha, berço da Reforma Protestante. Os moradores da área aceitaram sem problemas esta nova utilização do prédio. Os líderes da Igreja Luterana dizem que tiveram de vender a igreja por problemas financeiros, já que restavam apenas alguns fiéis indo aos cultos.
O porta-voz da comunidade muçulmana, Daniel Adbin, comemora dizendo que após 20 anos os muçulmanos da cidade terão uma mesquita reconhecida. Até recentemente eles se reuniam em um prédio comum, já que não podiam construir um templo.
Somente na Alemanha, mais de oitocentos igrejas católicas e protestantes foram fechadas desde o início da década de 1990. No entanto, este fenómeno que é chamado de “Euroislãmização” tem-se espalhado por todo o continente.
Os representantes da Igreja Católica na França há décadas alertam sobre as pessoas que estão a abandonar a fé cristã e, com isso, abrindo espaço para o crescimento do Islão.
Um estudo realizado pelo Instituto Hudson em 2011 mostrou que na França o Islão deverá ser a religião dominante dentro de dez anos, deixando o domínio católico para trás. Ao mesmo tempo, a Holanda, onde surgiu a Igreja Reformada, havia mais de 4200 igrejas cristãs em 2011. Estima-se que 1400 delas não existirão mais até 2020. Mais de 900 igrejas foram fechadas no país desde 1970. Muitas hoje abrigam mesquitas.
Segundo Silantiev Romano, professor da Universidade Estatal de Moscovo e estudioso do Islão, esses dados mostram uma tendência do cristianismo ser extinto na Europa como parte da rápida mudança no mundo. Para o estudioso, essa é uma derrota real para o Ocidente, que está a perder inegavelmente espaço para o Islão, num fenómeno de “ocupação cultural”.
De acordo com Romano, a negação dos valores cristãos europeus, mostra que dentro de algumas décadas o Velho Continente poderá estar dividido entre ateus (ou sem-religião) e muçulmanos.




