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23-12-2024 - Ex-muçulmano que se converteu viaja de bicicleta para evangelizar surdos na Ásia

Aktash evangeliza de bicicleta na Ásia Central. (Foto: Portas Abertas).

Aktash evangeliza de bicicleta na Ásia Central. (Foto: Portas Abertas).

 

     Aktash* nasceu surdo numa família muçulmana num país da Ásia Central. Na região, muitos islâmicos veem a surdez como uma maldição de Alá.

     Por isso, Aktash cresceu com seus familiares não se importando com ele e com a sociedade o desprezando.

     “Eu nunca experimentei amor ou interação dos meus pais. Nunca nos sentamos juntos. Nunca falei sobre meus sonhos porque eles não me entendiam. Apesar de saberem que eu era surdo, todos os meus irmãos escutavam, então eles nem tentaram aprender a língua de sinais para se comunicar comigo”, revelou ele, em entrevista.

 

Conhecendo o Evangelho

     Porém, um encontro com um Cristão transformou sua vida para sempre. Na linguagem de sinais, o homem testemunhou como Jesus o salvou e o curou da surdez.

     O Cristão contou que na sua igreja havia uma comunidade surda e que Aktash podia ir até lá para fazer amizade.

     “Eu queria estar entre os surdos. Então, comecei a ir por isso. Não tinha aceitado a Cristo, mas, para mim, era muito importante comunicar com surdos”, comentou.

     Após quatro anos escutando o Evangelho na igreja, Aktash foi tocado pelo Senhor Jesus Cristo  e tornou-se Cristão, em 2003.

     “A mudança na minha vida depois de aceitar a Cristo foi muito grande. Antes eu roubava e andava com pessoas que não eram boas”, testemunhou.

 

Despertado para evangelizar

     Logo, o Cristão foi despertado para alcançar a comunidade surda na sua região. “Eu comecei a estudar a Palavra de Deus, a orar e a aproximar-me d'Ele, o que mudou minha vida. Eu sabia que se não fosse até aos surdos, ninguém lhes falaria sobre Jesus”, disse.

     Aktash começou a evangelizar. Hoje, ele usa uma bicicleta para chegar a locais mais distantes em que há surdos.

     “Primeiro, servi pessoas surdas que vivem perto de mim, a cerca de um ou dois quilómetros de distância. Mas ainda havia pessoas surdas que viviam mais distante. Eram 50 ou 60 quilómetros, então não conseguiria ir a pé, mas Deus me abençoou com uma bicicleta. Eu vou com a minha bicicleta mesmo quando não há estradas. As pessoas surdas estão sedentas”, explicou.

 

Risco de perseguição

     Mesmo enfrentando risco de perseguição no seu país, o evangelista segue anunciando as Boas Notícias.

     “Sei que há muitas proibições, mas eu não poderia ficar em casa enquanto me dizem: ‘Essa pessoa surda morreu, aquela pessoa surda morreu’. Eu sei que elas não conheciam nada sobre Cristo, então percebi que Deus planeou esse caminho para mim. Eu sei que eles podem prender-me se descobrirem que testemunho do Evangelho, mas também sei que Deus não me deixará porque estou a fazer o Seu trabalho”, enfatizou.

     Enquanto persevera na sua missão, Aktash tem testemunhado a provisão de Deus para ele e a sua família.

     “Eu não tinha um lugar para morar, mas Deus deu-nos uma casa. Quando ministro aos surdos, sei que os meus três filhos estão em casa e é preciso alimentá-los e vesti-los. Fico fora de casa durante semanas, mas, quando chego, há roupas e comida. Eu não entendo como, mas sei que Deus fez isso. Ele faz sempre milagres em minha vida. Eu faço o Seu trabalho e Ele faz o meu”, testemunhou.

    Nos países da Ásia Central (Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão), estima-se que das 80,5 milhões de pessoas que vivem na região, 800 mil sejam surdas, cerca de 1% da população.

     Na Ásia Central, região formada por ex-repúblicas soviéticas, os Cristãos enfrentam perseguição da comunidade, governo e famílias. A maioria das igrejas são clandestinas, para escaparem do controlo que o governo exerce sobre as denominações registadas.

 

*Nome alterado por motivos de segurança.

- in Portas Abertas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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