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25-02-2025 - Jimmy Carter passou seus últimos anos dando aulas na escola dominical de sua igreja

     Jimmy Carter. (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons/Commonwealth Club)

Jimmy Carter. (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons/Commonwealth Club)
 

     O ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, que morreu no dia 29 de dezembro, aos 100 anos, foi o primeiro governante americano a se autodenominar um cristão "nascido de novo". Carter falou da sua fé abertamente até aos seus últimos dias de vida, enquanto ensinava numa escola dominical. 

     O 39º presidente dos EUA era membro da Igreja Batista Maranatha em Plains, Geórgia, e ensinou na Escola Dominical Batista durante décadas. Carter tornou-se no governante mais longevo do país. 

     Apesar da tentativa malsucedida de reeleição pelo Partido Democrata em 1980, Carter “ajudou a ativar um enorme exército de evangélicos politicamente conscientes nas eleições que se seguiram, a maioria dos quais votou nos republicanos desde então”, escreveram Michael Duffy e Nancy Gibbs no “The Preacher and the Presidents” (“O Pregador e os Presidentes”) — um livro sobre os relacionamentos de Billy Graham com líderes dos EUA.

      Carter ficou conhecido nos seus anos pós-presidenciais pela sua mediação de conflitos internacionais e os seus esforços para abrigar vulneráveis por meio da organização “Habitat for Humanity”, e recebeu o Prémio Nobel da Paz e a Medalha Presidencial da Liberdade.

     Ao longo da sua vida, Carter manteve-se ligado à igreja local: “Era uma parte da minha vida, como respirar — como ser um georgiano ou ser um ser humano — fazer parte da vida da igreja”, disse Carter durante uma entrevista publicada no periódico Baptist History and Heritage em 1997.

     Carter só faltou um domingo na Maranatha após fraturar a pélvis em 2019. Quando voltou para liderar a sua classe da Escola Dominical, ele informou sobre um diagnóstico de cancro que recebeu quatro anos antes e disse sobre aquela época: "Eu presumi, naturalmente, que iria morrer muito rápido".

     “Obviamente, orei sobre isso. Não pedi a Deus para me deixar viver, mas pedi a Deus para me dar uma atitude adequada em relação à morte, e descobri que estava absoluta e completamente à vontade com a morte”, disse Carter, de acordo com a CNN.

 

‘Mais próximo de Cristo’

     Conforme “O Pregador e os Presidentes”, Carter começou a declarar que nasceu de novo na campanha presidencial. No entanto, “ele não estava a referir-se à sua conversão aos 11 anos na Plains Baptist Church”:

     “Ele estava a falar sobre a sua decisão em 1967, aos 42 anos, de renovar seu compromisso com Cristo após um ano particularmente difícil”, diz o livro. 

     “A sua tentativa desesperada de governador da Geórgia em 1966 deixou-o angustiado porque foi a primeira vez na vida que ele teve um grande objetivo fracassado: ‘Eu meio que me afastei da minha fé, de mim mesmo e de Deus’”, relatou Carter aos autores Duffy e Gibbs. 

     Nesse período, ele seguiu o conselho de sua irmã mais velha e abandonou tudo para se dedicar a Deus por um tempo e obter respostas.

     Tempo depois, ele voluntariou-se para liderar uma cruzada de Billy Graham. No mesmo ano, juntou-se ao seu pastor e alguns Cristãos numa viagem missionária pioneira para Lock Haven, Pensilvânia, onde passaram uma semana visitando 100 famílias.

     “Tivemos uma experiência religiosa maravilhosa trabalhando juntos, 18 pessoas aceitaram a Cristo naquela semana, e plantámos uma igreja em Lock Haven antes de partirmos — até alugamos um prédio para a congregação usar”, contou Carter.

     Para Carter, esta viagem foi uma experiência transformadora que o deixou “mais próximo de Cristo".

 


Jimmy Carter foi o 39º presidente dos EUA. (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons/Ava Lowery)

Relembre a trajetória de Carter

James Earl “Jimmy” Carter Junior nasceu em 1 de outubro de 1924 na pequena cidade rural de Plains, no estado da Geórgia. O seu pai era um fazendeiro e empresário, e a sua mãe trabalhava como enfermeira.

Ele fez o ensino básico numa escola pública local. Depois, passou pela Faculdade do Sudoeste da Geórgia e pelo Instituto de Tecnologia do estado. Posteriormente, formou-se em Ciência em 1946, pela Academia Naval dos Estados Unidos. No mesmo ano, casou com Rosalynn.

Na Marinha, Carter serviu em submarinos pelos oceanos Atlântico e Pacífico e chegou ao cargo de tenente. Foi escolhido por um superior para entrar no programa de submarinos nucleares e foi enviado para Schenectady, Nova York, onde se formou em tecnologia de reatores e física nuclear.

Após a morte do pai, em 1953, ele saiu da Marinha e voltou para Plains, onde assumiu os negócios da família — que incluíam fazendas e uma empresa de suprimentos rurais.

Carter começou a vida política na cidade, servindo como administrador da educação, do hospital e da biblioteca. Como um dos líderes da comunidade, filiou-se no Partido Democrata.

Em 1962, ele ganhou a eleição para o cargo de senador pelo estado da Geórgia, com mandato de dois anos. Carter adquiriu notoriedade por atacar gastos governamentais e por ser contrário a leis que tiravam o direito de votar dos negros. Foi reeleito em 1964.

O político candidatou-se para o governo do estado em 1966, mas perdeu ainda nas primárias do Partido Democrata. Em 1970, conseguiu novos apoios e foi eleito. Durante o mandato, promoveu uma reforma administrativa que reduziu os gastos das agências públicas.

Carter concorreu à Presidência dos Estados Unidos em 1976, vencendo o republicano Gerald Ford, que tentava a reeleição. Ele atuou como presidente dos Estados Unidos entre 1977 e 1981. 

Carter é conhecido por alcançar os Acordos de Camp David, que levaram o Egito e Israel a assinar formalmente um tratado de paz, encerrando 31 anos de guerra entre eles. No âmbito interno, ele criou o Departamento de Educação e o Departamento de Energia.

Além disso, a gestão do então presidente foi marcada por uma forte crise económica e energética no país, um esforço diplomático de paz no resto do mundo e o sequestro de 52 americanos em Teerão por iranianos.

- in CBN News

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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