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18-08-13 - Católicos invocam mais a Maria do que a Jesus, diz articulista de jornal brasileiro

Olho de DeusMaria (como a pintam)     Uma das principais fontes de debate e divergência teológica entre católicos e protestantes é o status de intermediadora dado pela igreja romana a Maria, mãe de Jesus. Para católicos, a virgem foi arrebatada aos céus em carne e osso, e intercede pelos seguidores; Para protestantes, Maria é uma importante e admirada figura bíblica, mas não mais do que isso.

     Aldo Pereira, 80 anos, colaborador da Folha de S. Paulo (jornal brasileiro), publicou um artigo sobre o assunto, e fez comparações entre as posturas adotadas por católicos e protestantes a respeito do tema.

     O seu texto inicia-se com uma constatação: no terço católico há “106 invocações mântricas de Maria (duas em cada ave-maria), mais uma referência na salve-rainha e outra no credo”, e cita que em comparação, o mesmo terço “menciona o nome de Jesus 55 vezes: uma em cada ave-maria, uma no credo e outra na salve-rainha” e “invoca Deus uma única vez, no pai-nosso”.

     Pereira diz que o ponto de discórdia está na adoração à mãe de Jesus: “Protestantes apreciam Maria, mas reprovam ‘mariolatria’. Como outros não-católicos, objetam dizendo que a Bíblia não menciona Assunção”, escreveu, referindo-se à crença de que ela teria sido arrebatada ao Céu. “[Os protestantes] condenam como fetichismo idólatra o enlevo do papa ao beijar ia magem esculpida de Maria em Aparecida no mês passado”, afirma.

     Citando dados históricos da Igreja Católica, Pereira afirma que a ênfase dada à mãe de Jesus surgiu de uma busca do Vaticano por tornar a religião simpática a outros povos não Cristãos: “Maria pode ter ganhado proeminência hagiográfica a partir do século 4 por facilitar a conversão de pagãos mediante incorporação sincrética de elementos de outros credos no Cristianismo, e vice-versa. Muitos pagãos cultuavam deusas-mães”, contextualiza. “Representações de Ísis amamentando Horus bebé inspirariam madonas lactantes na pintura renascentista”, exemplifica o colaborador da Folha.

     Ele encaminha seu texto dizendo que os “teólogos protestantes argumentam que o clero católico confere status de divindades menores a Maria e outros santos (quase 8.000) quando lhes atribui milagres”, e que a “deificação de Maria [...] viola o preceito monoteísta das religiões abraâmicas”.

     Outro ponto de divergência teológica está na virgindade da mãe de Jesus, diz Pereira: “A Bíblia faz menção explícita a irmãos de Jesus. Mateus 13:55-56 e Marcos 6:3 nomeiam quatro, enquanto Mateus 12:46, Marcos 3:32 e Atos 1:14 referem outros. Segundo Mateus 1:18-25, José não ‘conheceu’ Maria antes de ela ter tido o primeiro filho, o que sugere que ele a ‘conheceu’ depois”.

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