24-08-13 - Heresias em cânticos Cristãos está a tornar-se preocupante
Uma notícia sobre um hinário esteve entre as mais comentadas (e criticadas) por sites e blogs Cristãos nos últimos dias. O Comité de Música da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA) está a trabalhar numa atualização do seu hinário. A primeira edição foi publicada em 1874, com o nome Presbyterian Hymnal. Ele sofreu várias alterações desde então, sendo a mais recente de 1990.Mas a adaptação de alguns desses hinos incluem não apenas uma nova linguagem, como também refletem uma nova teologia. A primeira disputa é pelo hino “Jesus Walked This Lonesome Valley” [Jesus andou neste vale solitário].
O cântico faz parte de outras compilações de cânticos de diferentes denominações. O principal argumento contrário é que ela contém declarações biblicamente questionáveis. A letra diz que devemos caminhar sozinhos pelo vale, o que contraria a afirmação das Escrituras, que Jesus está sempre com os Seus seguidores. Foram cerca de três anos e meio de debates entre os membros da comissão, que optou por deixar essa e outras músicas de fora da versão final do hinário que será publicado ainda em 2013.
Os debates teológicos foram mais incisivos quando foi sugerida a inclusão da música “In Christ Alone” [Somente em Cristo]. Composta por Keith Getty e Stuart Townend em 2001. A segunda estrofe diz “Naquela cruz onde Jesus morreu/ A ira de Deus foi satisfeita”. No processo de revisão, a opção foi adotar os termos “Naquela cruz onde Jesus morreu/ O amor de Deus foi magnificado”. Como eles não tinham autorização dos autores para mudar a letra, acabaram deixando-a de fora.
A comissão dos presbiterianos encontrou barreira no uso de termos como “soldados de Cristo” e “Rei dos céus” em vários hinos antigos. Optaram por investir na chamada “neutralidade de género”, que vai contra muitas tradições Cristãs. Uma das músicas que gerou mais conflito foi “Be Thou My Vision” Sê Tu a minha visão], que diz "Sê meu Grande Pai e eu, Teu verdadeiro filho”.
Isso traduz-se numa dificuldade, pois segundo a comissão da PCUSA, a “linguagem expansiva mostra que o Deus que nos conhece tão graciosa e intimamente na história da salvação é, ao mesmo tempo, totalmente outro e está além do género. Portanto, os textos refletem uma preferência em evitar o uso de pronomes masculinos para Deus… O objetivo é oferecer uma coleção em que os hinos tradicionais e músicas que porventura possam se referir a Deus como “Pai”, “Rei” e “Senhor”, são contrabalançadas por outras mais neutras ou expansivas em sua referência a Deus”.
Longe de ser um dilema apenas da Igreja Presbiteriana, o professor Timothy George, diretor do curso de Teologia da Universidade de Samford, assevera que tal liberalidade teológica pode abrir um perigoso precedente. George acredita que tratar a ira de Deus como um tabu, seja em sermões ou hinos, é a perpetuação de uma antiga heresia do primeiro século. Mostraria um Deus que é apenas amor, que extingue as chamas do inferno pois não há condenação.
Contudo, a justiça de Deus só pôde ser satisfeita pelo sacrifício expiatório de Cristo, que revela ao mesmo tempo a ira e o amor divino.
Já o doutor Denny Burk, professor de estudos bíblicos da Universidade Boyce acrescenta que o liberalismo teológico invadiu as músicas Cristãs, tendo consequências teológicas profundas.
Esse tipo de mudança não é novo. O hinário da Igreja Anglicana Episcopal, modificado em 1982, eliminou o uso de termos masculinos para se referir a Deus como Pai, Filho e Espírito Santo. Eles o substituíram por termos mais “inclusivos”, como Criador e Redentor. Termos considerados “militaristas” como soldados, batalha e exército, foram eliminados também. Não é por acaso que a Igreja Anglicana vive nas últimas décadas uma grande crise, que atingiu o seu ápice com o reconhecimento da ordenação de pastores homossexuais e transgéneros.




