02-10-13 - O drama de refugiadas norte-coreanas na China
Ela não tinha nenhum dinheiro, nenhuma comida, nenhum futuro. Quando uma senhora sino-coreana que viajava pela Coreia do Norte disse a Hye* que ela poderia ganhar muito dinheiro na China, parecia uma oferta irrecusável.Hye e outras poucas senhoras atravessaram o rio frio da fronteira no meio da noite. Do outro lado, alguns homens fortes esperavam por elas. Quando bateram-se as portas da van por trás delas, Hye sabia que algo estava terrivelmente errado. Como 50 mil outras norte-coreanas atualmente escondidas na China, ela tinha sido enganada por traficantes humanos.
As pessoas da van quase não falavam. Não havia como dizer para onde o carro iria. Elas foram levadas para um prédio, algum tipo de escritório, e trancadas até serem vendidas, uma a uma, aos chineses.
“Eu chorei cada dia dos três primeiros anos que fiquei na China”, disse Hye recentemente a Portas Abertas. “O homem que se dizia meu esposo me surrava terrivelmente. Ele também me engravidou e tivemos uma criança. Chegou um ponto em que eu não aguentava mais as surras e fugi. Agora, estou me escondendo dele. Uma vizinha, que também é uma refugiada ilegal da Coreia do Norte, traz o meu filho de vez em quando, para que eu possa passar um tempo com ele”.
Logo após Hye deixar o seu marido, foi apresentada a um dos grupos secretos para refugiadas da Portas Abertas na China e tornou-se Cristã. A serva de Deus Sun-Hi incentivou-a a voltar para o seu marido e tentar fazer as pazes com ele: “Tenho visto muitos milagres nos casamentos de maridos chineses e esposas norte-coreanas. Deus pode fazer isso, mas, algumas vezes, elas precisam suportar um pouco mais. Entendo que é fácil falar, mas, repetidamente, Deus tem provado que é capaz de restaurar esses relacionamentos e torná-los muito melhor para o casal e para os seus filhos”.
Hye recusou-se a voltar. “As surras eram muito duras. Era horrível. Agora meu marido já comprou uma esposa nova”.
Destino fatal
As histórias de outras refugiadas norte-coreanas são similares e igualmente complexas. Atraídas para longe de suas famílias e seu país, elas ficam presas em bordeis ou por maridos abusivos.
Frequentemente, as mulheres são “compartilhadas” por diferentes membros das famílias. As sogras tendem a tratá-las como escravas. Muitas deixaram maridos e filhos na Coreia do Norte na esperança de conseguir sustento para eles. “O único motivo pelo qual não tirei minha vida é porque, pelo menos, eu posso sustentar a minha família na Coreia do Norte”, dizem as refugiadas frequentemente.
Há muitos obstáculos em fugir para a China (pense na falta de dinheiro, nenhum contacto, nenhuma identidade e nenhum documento de viagem), e há muitas consequências. Ainda que elas consigam evitar a prisão, fugir para a China significa perder todas as ligações comos seus parentes na Coreia do Norte.




