03-04-14 - Cientistas afirmam que Deus produziu o Big Bang
No debate milenar entre a ciência e a religião, os cientistas e os religiosos apresentam os seus argumentos tentando convencer os demais. Uma minoria busca um “mínimo denominador comum” convincente.Esta semana, contudo, o embate entre Criacionismo e Big Bang pode ter ganho um capítulo importante. O professor Nathan Aviezer, da Universidade Bar Ilan, de Israel, veio a público defender fortemente que as crenças científicas e religiosas podem viver juntas em harmonia.
Ao lançar o seu livro “In the Beginning” [No Princípio], ele afirmou que os cientistas há décadas têm andado em busca das ondas produzidas pela gravidade, mas esse tem sido um feito difícil. Afinal, a gravidade é um bilhão de bilhão de vezes mais fraca que as forças elétricas, que também produzem ondas.
Contudo, argumenta, “se houve uma enorme mudança gravitacional, então talvez com algum equipamento muito sensível, poder-se-ia detectá-las.” Para ele, o Big Bang causou essa mudança “por isso não havia esperança de que talvez se pudesse ver as ondulações causadas pelo Big Bang”. É nesse momento que entra o relato do primeiro versículo de Génesis, onde mostra que Deus criou o céu e a Terra.
Embora todos os cientistas também usem um momento inicial para o estabelecer o surgimento do universo, eles não necessariamente atribuem isso a Deus, preferindo argumentar que aconteceu espontaneamente.
Nessa disputa pelo primeiro momento, os cientistas apostam na explosão conhecida como Big Bang, enquanto judeus e Cristãos defendem que foi o momento em que Deus disse “Haja luz”.
“A criação da luz foi essencialmente a criação do universo”, resume Aviezer. “Cada palavra escrita na Torá [Antigo Testamento] se encaixa nas descobertas científicas mais recentes. Elas estão em harmonia exata com as palavras da Torá.”
O famoso rabino Benny Lau, concorda que essa teoria científica é compatível com a história judaica revelada no Livro de Beresheet [Génesis]. Para ele, os conceitos de tempo na Bíblia não são os mesmos que aqueles que usamos agora, pois ‘um dia’ pode perfeitamente ser o mesmo que um milhão de anos. Mesmo assim, para Lau, as últimas descobertas científicas não alteram o entendimento judaico sobre como tudo começou.
O debate voltou a ocorrer após o material divulgado pelo astrónomo John M Kovac, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian. Esta semana, a equipa de cientistas americanos do projeto BICEP2, anunciou ter encontrado resíduos deixados pela chamada “inflação cósmica”. Esse é o nome dado ao crescimento exponencial pelo qual o universo passou no seu primeiro quadrilionésimo de segundo.
Usando poderosos telescópios situados no Pólo Sul, eles comprovaram a existência de “micro-onda cósmica de fundo”, uma radiação muito fraca que permeia todo o universo. Tais ondas gravitacionais deixam marcas ao percorreram o espaço na sua “fase inflacionária”. As chamadas ondas gravitacionais funcionam na cosmologia como uma espécie de “eco” do Big Bang.
“Isso abre uma janela para um novo mundo da física, aquele que ocorreu na primeira fração de segundo do universo”, disse Kovac, que liderou as equipas do BICEP2 (Background Imaging of Cosmic Extragalactic Polarization 2).
Caso seja confirmada, a descoberta dos astrofísicos poderá render-lhes um prémio Nobel, pois seriam as provas necessárias para apoiar a teoria de que o universo teve um começo.
O escritor e educador judeu Izzy Greenberg escreveu ao Jerusalém Post que: “Quando perguntamos sobre como o mundo foi criado, nós poderíamos ter tanto um Big Bang [Grande Explosão] quanto um Big Banger [Grande Explodidor]. Lembra que o famoso rabino-chefe de Israel Yitzchak Eizik HaLevi Herzog, em 1957 escreveu: “Segundo uma perspectiva científica, acreditamos que Deus criou bilhões de átomos, para os quais estabeleceu certas leis naturais. Esses átomos mais tarde desenvolveram-se e evoluíram de acordo com essas leis. Mas isso não é diferente que acreditar, segundo o relato simples de Génesis, que Deus criou os céus e a Terra, no primeiro dia…”.
O professor Aviezri S. Fraenkel, do Instituto Weizmann, expressou um sentimento semelhante. Ele defende que a moderna teoria da cosmologia e a religião judaica, na verdade, podem ajudar-se e explicar-se mutuamente. Elas não anulam uma à outra. “Na verdade, as teorias modernas, mesmo que se aprofundem cada vez mais, ainda não explicam todos os factos observados no cosmos, conferindo apenas um novo significado para o versículo do Salmo 92:5: “Quão grandes são, SENHOR, as tuas obras! Mui profundos são os teus pensamentos“.
Jerusalem Post




