07-04-14 - 20º Aniversário do Genocídio no Ruanda: sobrevivente diz ter perdoado o homem que matou a sua família
Ao assinalar os 20 anos do genocídio no Ruanda, onde cerca de 800 mil pessoas foram mortas, um sobrevivente Cristão que trabalha com a Operação Natal Criança, da Bolsa do Samaritano, contou a sua história pessoal de visitar e perdoar as pessoas que mataram a sua família. Ele também revelou que o país tem experimentado uma notável cura e crescimento no último par de décadas."Foi um milagre Deus ter-me dado a oportunidade de eu conhecer um dos assassinos, a pessoa que matou o meu tio, e eu fui capaz de comunicar a mensagem de amor e perdão, e ser capaz de plantar sementes de esperança e amor na sua vida, dizendo-lhe que Cristo veio e morreu também por ele, e o ama tanto quanto me ama a mim”, disse Alex Nsengimana ao The Christian Post.
"Foi provavelmente um dos dias mais difíceis da minha vida, mas também um dos meus dias mais libertadores, porque eu fui capaz de avançar e desfrutar da paz que somente Jesus Cristo pode oferecer".
Nsengimana tinha apenas quatro anos quando perdeu a mãe biológica com HIV no Ruanda. Ele nunca conheceu o seu pai, mas tinha um ótimo relacionamento com sua avó, que cuidou dele, do seu irmão mais novo e da sua irmã mais velha.
"O genocídio começou em 7 de abril de 1994. Minha família era considerada parte da tribo Tutsi, e foi por isso que foram algumas das primeiras pessoas que foram caçadas e mortas", disse Nsengimana.
Ele tinha apenas cinco anos quando milícias chegaram a sua casa, arrombaram a porta, ordenaram que as crianças saíssem, e em seguida mataram a sua avó.
Os soldados voltaram mais tarde, e também mataram o seu tio em frente deles.
O genocídio, um dos eventos mais mortais da história registada, ocorreu no espaço de 100 dias, entre abril e junho de 1994. Desencadeado com morte do presidente de Ruanda, Juvenal Habyarimana, cujo avião foi derrubado em 6 de abril, o governo liderado pelos Hutu desencadearam uma matança devastadora que levou à morte de cerca de 800 mil pessoas tutsis.
A ONU observa a comemoração do XX genocídio no dia 7 de abril, e pediu que as pessoas ao redor do mundo se "lembrem, unam e renovem".
Nsengimana diz que depois que a sua família foi assassinada, ele e os seus irmãos correram por longo tempo, através de florestas e bloqueios de estradas e guardas armados, sobrevivendo a uma série de incidentes em que poderiam ter sido mortos.
Ele acabou num orfanato, onde ele viu pela primeira vez o trabalho da Operação Natal Criança, um programa de extensão da Bolsa do Samaritano, que já entregou mais de 100 milhões de caixas de sapatos cheias de presentes a crianças em mais de 100 países desde 1993. Ser presenteado com uma das caixas de sapatos, deu -lhe esperança, pela primeira vez em um longo tempo.
Um ano depois, Nsengimana teve a oportunidade de viajar com um coro, chamado Coro de Crianças Africanas. Ele primeiro foi para o Uganda, onde estudou Inglês e começou a ler a Bíblia. Mais tarde, foi com o coro para os EUA há dois anos e meio, e em 2003 ficou ligado a uma família no estado do Minnesota, que o ajudou a voltar e ficar lá para estudar. No ano passado, ele completou o seu diploma de uma Escola Bíblica no Minnesota.
"Quando eu voltei pela segunda vez, foi muito mais fácil. Era diferente porque [agora eu estava] a viver em um ambiente familiar, e vendo que o amor e a generosidade da comunidade era uma bênção de se ver", continuou ele.
Enquanto ele crescia na sua fé Cristã, ele admitiu que uma das coisas por que lutou durante muito tempo foi pensar nas pessoas que mataram a sua família no Ruanda, e aprender a perdoar-lhes.
"Quando eu estava a viajar com o coro, houve muitas pessoas que me ajudaram a curar, porque eu estava sempre zangado e amargurado e vivia em cativeiro. Quando eu me converti a Cristo e O conheci, quando eu estava a viver no Uganda a aprender Inglês, eu comecei a ler a Bíblia, e lembro-me de pela primeira vez perceber que Deus tem um plano para minha vida, e comecei a ver o amor de Jesus Cristo e a entender que Cristo veio e nos amou a todos nós, e Ele ama a todos e cada um dos nós", disse Nsengimana.
"Mas o que eu não queria aceitar é que Ele amava o aassassino que matou o meu tio, e o assassino que matou a minha avó. E eu vivi escravizado por muitos anos por causa disso."
Em março passado, depois de iniciar um estágio com a Operação Natal Criança e viajar para o Ruanda para entregar caixas de sapatos a crianças no orfanato onde cresceu, ele teve a oportunidade de se encontrar face a face com o homem que matou o seu tio, que estava na prisão.
Nsengimana disse que, no princípio, o homem não se lembrava dele e não sabia porque ele estava ali. No entanto ele orou com ele, num encontro que pode ser visto no vídeo da Bolsa do Samaritano.
Nsengimana disse que ele está grato por poder plantar sementes de esperança e de amor no coração do homem.
Quanto ao estado atual do Ruanda, no 20 º aniversário do genocídio, ele disse que as pessoas ir-se-iam surpreender ao saber o quanto a cura e a reconciliação aconteceram.
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