06-05-14 - Liberais britânicos contestam posições Cristãs de David Cameron
Liberais britânicos contestam posições Cristãs de David Cameron.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, virou alvo de veementes críticas que lhe foram dirigidas pelos círculos liberais depois de ter sustentado que a Grã-Bretanha era e continua a ser um país Cristão e que o Cristianismo deu uma substancial contribuição para a formação do Estado britânico.
Um grupo de 50 conhecidas personalidades, incluindo um prémio Nobel, vários diplomatas, escritores, artistas e atores endereçou-lhe uma carta aberta contestando as suas abordagens religiosas tradicionais. A mensagem realça que as declarações do primeiro-ministro “têm vido a provocar uma cisão, menosprezando a contribuição dada por representantes de outras confissões religiosas – muçulmanos, hindus, judeus, budistas, ateus, etc. para o desenvolvimento do país".
Importa acentuar que Cameron, membro da Igreja Anglicana, evocou a contribuição dos Cristãos, na véspera das celebrações da Páscoa, tendo publicado um vasto artigo na maior edição anglicana, The Church Times. Mas a polémica gerada pela publicação continua até hoje. Após um “fogo de artilharia”, aberto contra Cameron por partidários da tolerância religiosa, para o seu lado passaram os fiéis da Igreja.
Embora presentemente a hierarquia anglicana não seja aprovada pela família real ou o governo mas sim pelo parlamento, as candidaturas de párocos e bispos devem ser acordadas com o primeiro-ministro.
“Podemos ver que na sociedade contemporânea nem tudo está bem e em harmonia se nós temos de defender os direitos dos Cristãos”, anunciou a esse propósito Christina Rees, da Câmara de Leigos do Sínodo Geral da Igreja Anglicana. E continuou:
“O primeiro-ministro tem razão: somos um país Cristão. Durante séculos, a Grã-Bretanha foi e continua a ser, em termos históricos e culturais, um Estado Cristão. Apraz-me muito o facto de que o chefe do Executivo não receia falar, em alto e bom som, da sua fé Cristã. No que tange aos críticos, estamos habituados às suas afrontas, que são bastante frequentes. Os críticos de Cameron não teriam dito nada se ele dissesse, por exemplo, que as práticas budistas “o ajudavam a se reconciliar consigo próprio”. Já se tornou fácil tecer críticas tanto ao primeiro-ministro, como à fé Cristã”.
Convém dizer que, em todo o caso, tal passo empreendido pelo chefe do governo, não é típico dos primeiros-ministros da atualidade.
Os Cristãos não deixam de constituir a maioria religiosa. Segundo um inquérito mais recente, cerca de 54-59% dos questionados na Inglaterra e Escócia identificam-se como Cristãos.




