23-06-14 - EUA: Ignorância bíblica chegou a um ponto crítico
Nos últimos 15 anos em que Kenneth Berding tem ensinado o Novo Testamento, ele admite que os seus alunos sempre tiveram pouco conhecimento da Bíblia. Mas hoje, diz ele, o analfabetismo bíblico chegou a um ponto crítico."Todas as pesquisas indicam que a aptidão bíblica na América está no mínimo histórico", disse Berding, professor de Novo Testamento na Biola’s Talbot School of Theology, ao The Christian Post. "A minha própria experiência com caloiros da faculdade de teologia nos últimos 15 anos, faz- me pensar que, apesar dos estudantes de há 15 anos saberem muito pouco sobre a Bíblia, os estudantes de hoje sabem ainda menos quando entram nas minhas aulas”.
Num artigo, intitulado "A Crise da ignorância bíblica e o que o que podemos fazer sobre isso", para a revista da Universidade Biola, Berding descreveu o problema como se fosse uma estiagem. E ele não está sendo excessivamente alarmista, afirmou.
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"Os cristãos costumavam ser conhecidos como ‘o povo de só um livro’. Nós memorizávamo-lo, meditávamos nele, conversávamos sobre ele e ensinávamo-lo aos outros”, escreveu ele. "Nós não fazemos mais isso, e em um sentido muito real, nós estamo-nos matando de inanição”.
"Se eu pareço alarmista, eu não estou sozinho. Nestes tempos, muitos de nós nem sequer sabemos factos básicos sobre a Bíblia".
De acordo com o relatório de 2014 "The State of the Bible" elaborado pelo Grupo Barna em conjunto com a American Bible Society, a maioria dos adultos norte-americanos (81 por cento) disseram que se consideram com muito conhecimento da Bíblia. No entanto, menos da metade (43 por cento) foram capazes de nomear os cinco primeiros livros da Bíblia. As estatísticas são semelhantes ao relatório anterior de 2013, que também mostrou que apenas metade sabia que João Batista não era um dos 12 apóstolos.
Na sua própria experiência, um estudante, lembrou Berding, não sabia que o Saulo do Novo Testamento era diferente do rei Saul no Velho Testamento. Outro estudante pensava que a figura do Antigo Testamento Josué era filho de uma "freira", sem saber que "Num" era na verdade o nome do pai do personagem bíblico (nota do tradutor: Nun em inglês é freira).
O que está contribuindo para o declínio no conhecimento bíblico é a forma como os americanos veem a Bíblia, acredita Berding.
"Muitos americanos não creem na autoridade da Bíblia, isto é, eles não consideram que a Bíblia tem uma chamada para as suas vidas", lamentou. "Eles podem até cogitar que a Bíblia é importante de uma maneira genérica, mas isso está muito longe de acreditar que Deus comunicou a Sua vontade através deste livro e, portanto, compromete as suas ações".
Essa pesquisa da Bíblia de 2014 constatou que, embora a maioria das pessoas possuam uma Bíblia, pouco mais de um terço (37 por cento) dos americanos lê o livro sagrado, uma vez por semana ou mais. Mais de um quarto (26 por cento) dos norte-americanos nunca leu a Bíblia.
A Bíblia é fundamental para a vida Cristã, reforçou Berding, e é através deste livro que a mensagem do Evangelho – "a morte e a ressurreição de Jesus Cristo é a solução para pecadores quebrados e necessitados".
Assim, quando os Cristãos estão desinteressados ou apenas levemente envolvidos com a Palavra de Deus, eles estão a pecar, declarou Berding sem rodeios.
"Tiago, o meio-irmão de Jesus e líder da igreja em Jerusalém no primeiro século, colocou desta forma ‘Pensem nisto, pois: Quem sabe que deve fazer o bem e não o faz, comete pecado’, (Tiago 4:17)", o professor Califórnia explicou. "Negligenciar ler o mais precioso de todos os livros, a revelação de Deus para nós - a Bíblia -, é pecado".
Os cristãos devem ler a Bíblia e lê-la com tanta frequência, que eles a conheçam bem o suficiente para pensar nela durante o dia todo, frisou.
"Eu não acredito que a maioria dos americanos perceba que seu pouco (ou nenhum) comprometimento com a Bíblia é sério", disse Berding, cujas preocupações são definidas no livro Bible Revival: Recommitting Ourseves to One Book (Reavivamento Bíblico: renovando o nosso compromisso com o livro único).
"Parte disso é porque eles têm respirado nas premissas pós-modernas que desconfiam de metanarrativas".
Outras razões que contribuem para o declínio no conhecimento bíblico, listadas por ele, incluem: autossuficiência (não acreditando que não deve haver nenhuma autoridade fora de si); distrações, como redes sociais, mensagens de texto e de entretenimento; excesso de confiança injustificada (no sentido de que sabemos muito sobre a Bíblia, porque nós crescemos indo à igreja); e ser "muito ocupado".
"Nós temos sido de certa forma hipnotizados no acreditar que não é muito importante que precisemos de criar um tempo para nos dedicarmos a ler e a aprender a Bíblia", acrescentou.
Berding teme que, embora o movimento cristão dos EUA possa parecer forte, especialmente para alguém no exterior, a sua fundação está se desintegrando, em grande parte por causa da falta de comprometimento e submissão à Bíblia.
"O prédio não ainda desabou, mas o próximo vento forte pode fazê-lo cair".




