12-06-14 - Vêm aí os spornossexuais
Há 20 anos, Mark Simpson cunhou o termo "metrosexual"1. Mas agora uma nova e mais extrema versão de paranoia-sexo-corpo surgiu, explica."Para a geração de hoje, as redes sociais, as selfies e a pornografia são os vetores do desejo masculino de se sentir desejado. Eles querem ser desejados pelos seus corpos, não pelos seus guarda-roupas. E definitivamente não pelos seus cérebros", sentencia Mark Simpson num artigo no The Telegraph.
Se no anos 90, a ideia de metrossexualidade começou por ser rejeitada pelas correntes mais mainstream do pensamento, hoje a sociedade já aceita como ícones de masculinidade homens como David Beckham e Cristiano Ronaldo, que passam mais tempo a cuidar da imagem do que a maior parte das mulheres.
Esta nova onda coloca o "sexual" na metrossexualidade. Na verdade, um novo prazo é necessário para descrevê-los, Ronaldo e Beckham, onde o desporto foi para a cama com a pornografia enquanto o Sr. Armani tira fotos.
Vamos chamá-los de spornossexuais.
Durante décadas, a vaidade masculina foi estigmatizada e associada a comportamentos homossexuais. Mas hoje é uma indústria de milhões e um estudo citado no artigo de Mark Simpson mostra que no Reino Unido, por exemplo, os homens já gastam mais dinheiro em sapatos do que as mulheres.
As campanhas publicitárias, as produções de moda e o cinema mostram homens cada vez mais preocupados com o aspecto e com as tendências de estilo e hoje em dia um homem que faça depilação ou use cremes já não é uma raridade.
Mas Mark Simpson – que criou o termo ‘metrossexual’ – acha que os homens do início do século XXI atingiram todo um novo patamar, que mistura a obsessão pelo corpo com as imagens estilizadas da pornografia. E chama spornossexuais a esta nova espécie masculina.
"O seus corpos tornaram-se nos seus derradeiros acessórios", afirma o cronista, explicando que estes novos homens esculpem o seu aspecto no ginásio para depois se compararem num verdadeiro "mercado online" criado por sites, blogues e redes sociais.
Corpos esculturais bombeados nas máquinas do ginásio, tatuagens que realçam os músculos, piercings, "barbas adoráveis" e decotes vertiginosos são, segundo o autor, a imagem de marca dos spornossexuais.
"SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá HOMENS AMANTES DE SI MESMOS ... mais amigos dos deleites do que amigos de Deus ..." (1 Tim. 3:1,2,4).
______________________________
1 A Metrossexualidade ou o metrossexualismo, logo o metrossexual: é um termo originado nos finais dos anos 1990, pela junção das palavras metropolitano e sexual, sendo uma gíria para um homem urbano excessivamente preocupado com a aparência, gastando grande parte do seu tempo e dinheiro em cosméticos, acessórios, roupas e tem suas condutas pautadas pela moda e as "tendências" de cada estação.
Foi usado pela primeira vez em 1994 pelo jornalista britânico Mark Simpson e foi aproveitado pelas revistas masculinas britânicas e norte-americanas para fazerem desta definição o seu público-alvo. Depois da sua utilização ter decrescido nos Estados Unidos, o termo foi re-introduzido em 2000, mas só em 2002 é que o termo se popularizou. Tudo começou com um novo artigo de Mark Simpson, onde afirma que um exemplo conhecido de alguém que se encaixa no perfil do metrossexual é David Beckham, ex-atleta de futebol e constantemente associado a diminuição dos tabus relativos à lacuna existente entre a [homossexualidade]] e a culturagay , que gosta de passar o dia nas compras, arranjar as unhas, ir ao cabeleireiro, fazer depilação completa ou cuidar excessivamente do corpo.1 Após a publicação de tal artigo, a firma Euro RCSG Worldwide adoptou-o numa pesquisa de mercado e o jornal New York Times deu uma grande destaque à metrossexualidade, difundindo amplamente o termo.
A vaidade masculina, há uns anos, era na melhor das hipóteses feminino - na pior das hipóteses, pervertido.
Nos anos 1970, apenas alguns homossexuais masculinos se preocupavam com tais questões.




