10-11-14 - Missionário Americano libertado da prisão, na Coreia do Norte
Os dois americanos libertados pela Coreia do Norte voltaram para seu país depois de uma missão secreta liderada pelo chefe do serviço de informações dos Estados Unidos, James Clapper, que os acompanhou no seu regresso a casa.O missionário Kenneth Bae e o cidadão americano Matthew Miller, que chegaram à base conjunta Lewis-McChord no estado de Washington, eram os únicos americanos ainda presos na Coreia do Norte, depois da libertação há duas semanas de Jeffrey Fowle, de 56 anos.
Pouco depois de chegar, falando à imprensa, Bae agradeceu "a todos que me apoiaram e fortaleceram a minha moral e não me esqueceram, e também apoiaram minha família durante este período extremamente difícil".
A irmã de Bae, Terri Chung, disse que a sua família ficou "esperando e orando por este dia durante dois anos", de acordo com a ABC News.
Também pediu que "a população da Coreia do Norte não seja esquecida".
O departamento de Estado americano anunciou no sábado a libertação dos dois cidadãos americanos após a intermediação de James Clapper.
Clapper viajou à Coreia do Norte e "envolveu-se, em nome dos Estados Unidos, nas conversas com as autoridades da República Democrática Popular da Coreia do Norte sobre a libertação dos dois cidadãos", acrescentou o comunicado divulgado pelo departamento.
O chefe do serviço de informações ficou apenas um dia na capital norte-coreana durante essa missão realizada por sugestão de Pyongyang, embora não tenha se reunido com o líder norte-coreano, Kim Jong-un.
Segundo um alto funcionário dos Estados Unidos, Clapper reuniu-se com importantes funcionários norte-coreanos, mas não com Kim Jong-un, que reapareceu na sexta-feira na televisão depois de uma ausência de dois meses, o que alimentou rumores sobre sua saúde.
Clapper levou uma breve mensagem do presidente Barack Obama para o seu colega da Coreia do Norte na qual informava que era o enviado pessoal do chefe de Estado americano, segundo a fonte.
Os norte-coreanos haviam sugerido há várias semanas que eventualmente poderiam libertar os dois americano, pedindo que o governo dos Estados Unidos enviasse um alto funcionário ao país para negociar essa libertação.
Clapper foi escolhido para a missão pela sua experiência em temas coreanos, e também porque a sua hierarquia como chefe dos serviços de informações (e, por isso, fora do circuito diplomático tradicional) permitia evitar dar à viagem um caráter diplomático, explicou.
A libertação dos dois americanos era o único objetivo da viagem de Clapper, acrescentou a fonte sob anonimato.
Essa libertação acontece duas semanas depois que Pyongyang libertou o também americano Heffrey Fowle, de 56 anos, preso em abril passado depois de, supostamente, esquecer uma bíblia num restaurante.
Kenneth Bae, missionário americano, cumpriu dois anos de prisão nesta semana. Com 46 anos, estava doente e sentenciado a 15 anos de trabalhos forçados.
Washington condenou a atitude de Pyongyang em relação a essas prisões, afirmando que os americanos estavam detidos como reféns políticos para obter concessões diplomáticas.
Obama considerou que a libertação dos americanos foi "maravilhoso para eles e para as suas famílias".
"Acho que é um dia maravilhoso para eles e suas famílias e, obviamente, estamos muito agradecidos pelo seu regresso a salvo", declarou Obama, em uma cerimónia na Casa Branca para anunciar o nome da sua nova procuradora-geral, a advogada Loretta Lynch.
Uma fonte do departamento de Estado garantiu que nenhuma concessão foi feita em troca da libertação dos dois americanos.
"A Coreia do Norte sabe o que tem de fazer, se quiser uma relação melhor com a comunidade internacional e terminar o seu isolamento e 'status' de pária", justificou a fonte diplomática consultada pela AFP.
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