16-12-14 - Sistema de educação pública turco oferece aula sobre Cristianismo
O comité de criação é composto por nove membros do clero com base grega, arménia e de ortodoxos sírios, assim como católicos e protestantes.O pastor Behnan Konutgan, da Casa da Bíblia em Istambul, informou que o Ministério da Educação autorizou a comissão de autoria a continuar desenvolvendo o currículo de religião Cristã deste mês. A comissão já preparou um projeto de livros didáticos para as crianças dos quarto e quinto anos, com idade entre nove e onze anos. A comissão está a organizar as anotações para os alunos dos oitavo e nono anos.
A criação deste novo currículo levanta muitas perguntas sobre a sua execução, tais como e onde as aulas serão ministradas. "Há mais perguntas do que respostas", afirmou a especialista em liberdade religiosa, Mina Yildirim. "Se o Ministério da Educação não está disposto e pronto para se tornar flexível, esse curso não passará de discurso, nunca entrando na prática". Uma das propostas de flexibilidade envolve a união de alunos de diferentes escolas a fim de completar a cota de doze alunos por turma, exigência para o início das turmas. Yildirim disse ainda que o Ministério da Educação também pode considerar a realização de classes com menos alunos, possibilitando que o currículo atenda às necessidades da comunidade Cristã.
Os Cristãos turcos nunca pensaram que o Cristianismo como disciplina pudesse ser uma proposta muito difícil de ser implementada em escolas turcas, públicas ou privadas.
Uma das preocupações, levantada pelo administrador escolar, Garo Paylan, é qual a especialidade e o grau de conhecimento de professores para ministrarem esse curso nas escolas públicas. Outras preocupações também surgiram. O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH), do qual a Turquia é uma das signatárias, decidiu que as aulas de religião obrigatórias não parecem de aplicação justa para os alunos que não seguem a religião, em um país de maioria islâmica sunita. Eles ainda pedem ao governo turco que os alunos que não queiram participar das aulas, sejam dispensados a pedido dos pais, sem que precisem divulgar suas crenças religiosas. O anúncio do governo sobre a oferta de uma disciplina eletiva de Cristianismo veio logo após a decisão do TEDH.




